E o vencedor é... hoje à noite, atores premeiam atores

Celebram-se esta noite os prémios de cinema da GDA. Atores a premiar atores

A temporada dos prémios de cinema também existe em Portugal. Enquanto ainda estão longe as entregas dos Globos de Ouro e dos Prémios SPA, da Sociedade Portuguesa de Autores, hoje será o dia para sabermos quais os melhores atores segundo a GDA, Gestão dos Direitos dos Artistas. Uma iniciativa que visa premiar os melhores desempenhos em cinema dos nossos atores. Este galardão de atores para atores celebra-se pela 10.ª vez, desta feita no palco do Teatro da Trindade, em Lisboa, esta noite. Uma cerimónia antecedida pelas Jornadas de Trabalho, onde se juntam atores a produtores e realizadores num esforço de aproximação deste setor.

Pela primeira vez, será atribuído o prémio Jovem Talento, que premeia uma revelação. Sem querer fazer grandes futurologias, o jovem Pedro Marujo, de Verão Danado, de Pedro Cabeleira, é o grande favorito, não sendo também de excluir Ricardo Teixeira, protagonista de Al Berto, de Vicente Alves do Ó, bem como Raquel Rocha Vieira e José Pimentão do mesmo filme ou Catarina Gouveia em Perdidos, de Sérgio Graciano.

Os jurados são Fernando Luís, Miguel Seabra e Maria João Luís e terão de decidir também os melhores atores secundários. Nomes como Nuno Lopes em São Jorge, de Marco Martins; Miguel Borges em Uma Vida à Espera, de Sérgio Graciano, e Sinde Filipe em Zeus, de Paulo Filipe, podem estar na linha da frente para vencer na categoria de melhor ator principal, enquanto nas atrizes Rita Blanco e Anabela Moreira, ambas em Fátima; Dalila Carmo em Perdidos; e Carla Galvão em A Fábrica de Nada, de João Pinho, podem ser hipóteses fortes.

No que toca a secundárias, impossível esquecer Cleia Almeida e Márcia Breia, ambas em Fátima, Carla Maciel na curta Coelho Mau, Carlos Conceição ou Ana Valentim em Verão Danado. Nos atores, a escolha poderá ser também complicada, com belos desempenhos de José Afonso Pimentel e Diogo Amaral, ambos em Perdidos, bem como José Raposo, em São Jorge.

Os atores principais concorrem a um prémio que corresponde a três mil euros, enquanto os secundários a dois mil euros e o jovem talento a mil euros. Para a Fundação GDA, estes prémios têm como objetivo valorizar o trabalho dos profissionais e impulsionar todo este meio. 2017 foi um ano muito forte para os atores portugueses em cinema, mesmo quando se fala, e muito, na inépcia de muitos cineastas no que toca a dirigir atores em cinema. Filmes como O Fim da Inocência, de Joaquim Leitão, e Verão Danado, à parte das suas fraquezas e méritos, vieram trazer novos rostos para o cinema português.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro: "O outro e o mesmo"

No tempo em que se punha pimenta na língua dos meninos que diziam asneiras, estudar Gil Vicente era uma lufada de ar fresco: ultrapassados os obstáculos iniciais daquela língua com borrifos de castelhano, sabia bem poder ler em voz alta numa aula coisas como "caganeira" e soltar outras tantas inconveniências pela voz das personagens. Foi, aliás, com o mestre do teatro em Portugal que aprendi a vestir a pele do outro: ao interpretar numa peça da escola uma das suas alcoviteiras, eu - que detesto arranjinhos, leva-e-traz e coscuvilhice - tive de esquecer tudo isso para emprestar credibilidade à minha Lianor Vaz. E talvez um bom actor seja justamente o que consegue despir-se de si mesmo e transformar-se, se necessário, no seu avesso. Na época que me coube viver, tive, aliás, o privilégio de assistir ao desempenho de actores geniais que souberam sempre ser outros (e o outro) a cada nova personagem.

Premium

Rogério Casanova

A longa noite das facas curtas

No terceiro capítulo do romance Time Out of Joint, o protagonista decide ir comprar uma cerveja num quiosque de refrigerantes que avistou à distância. Quando se aproxima, o quiosque de refrigerantes torna-se transparente, decompõe-se em moléculas incolores e por fim desaparece; no seu lugar, fica apenas um pedaço de papel, com uma frase inscrita em letras maiúsculas "QUIOSQUE DE REFRIGERANTES". É o episódio paradigmático de toda a obra de Philip K. Dick, na qual a realidade é sempre provisória e à mercê de radicais desestabilizações, e um princípio criativo cuja versão anémica continua a ser adoptada por qualquer produtor, realizador ou argumentista que procura tornar o seu produto intrigante sem grande dispêndio de imaginação.

Premium

Daniel Deusdado

Estou a torcer por Rio apesar do teimoso Rui

Meu Deus, eu, de esquerda, e só me faltava esta: sofrer pelo PSD... É um problema que se agrava. Antigamente confrontava-me com a fria ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, e agora vejo a clarividente e humana comentadora Manuela Ferreira Leite... Pacheco Pereira, um herói na cruzada anti-Sócrates, a voz mais clarividente sobre a tragédia da troika passista... tornou-se uma bússola! Quanto não desejei que Rangel tivesse ganho a Passos naquele congresso trágico para o país?!... Pudesse eu escolher para líder a seguir a Rio, apostava tudo em Moreira da Silva ou José Eduardo Martins... O PSD tomou conta dos meus pesadelos! Precisarei de ajuda...?