E o Nobel da Literatura vai para...

Lobo Antunes continua na corrida, mas Ngugi Wa Thiong"o aparece como preferido. Tal como Margaret Atwood e Haruki Murakami (!). Pode ser o ano de Amos Oz.

O escritor que a Academia Sueca vai anunciar pelas 12.00 como Nobel da Literatura é sempre o segredo mais bem guardado. Este ano não foge à regra e todos os nomes que se avancem serão especulação. Além de que os desvarios dos últimos três anos mostraram que não há um critério, pois Patrick Modiano era um escritor totalmente de nicho, já Svetlana Alexievich pouco tem que ver com a Literatura e Bob Dylan nem vale a pena comentar.

Modiano ainda foi escolhido sob a presidência do anterior secretário-geral do júri Peter Erglund, mas os outros dois já pertencem à orientação de Sara Danius, a mais revolucionária da história da Academia no âmbito da Literatura. No entanto, se Danius pretendeu recentrar o Nobel fazendo-o entrar nas bocas do mundo - e conseguiu-o -, à terceira vez, a Academia já não permitiu que o anúncio fosse feito a desoras para chamar à atenção e obrigou a voltar à habitual quinta-feira. Portanto, hoje a grande dúvida é se os 18 membros do júri do Nobel da Literatura vão premiar um verdadeiro escritor ou se se mantêm apostados na espetacularidade. Até obedecerem a "critérios" desfasados da Literatura, como é o das quotas mulher, poeta, negro, ativista social... Afinal, o que está em causa é já o prestígio da Academia Sueca.

O único guião que existe para as adivinhações sobre o vencedor é o das apostas que algumas agências fazem junto de apostadores e curiosos. Com Svetlana ganharam dinheiro, com Dylan, não. Desta vez, mantém à cabeça dos hipotéticos vencedores há várias semanas o queniano/norte-americano Ngugi Wa Thiong"o - um bom conhecedor da colonização portuguesa. Em segundo, terceiro e sexto lugares, também persistentes, Haruki Murakami, Margaret Atwood e Adonis.

Com uma subida muito pronunciada, entrou no top 10 Javier Marias, Don Delillo e Claudio Magris. E também se firmaram nessa lista Yan Lianke e Amos Oz. Este último, um dos grandes favoritos. A surpresa maior é António Lobo Antunes manter-se em décimo, de onde ninguém o consegue arredar, estando num dos seus melhores lugares desde há muito.

Diga-se que neste momento existem três editoras suecas a editá-lo no país do Nobel. À última hora entraram no 12.º e 13.º dois nórdicos, Jón Kalman Stefánsson e Sigurjón Birgir Sigurðsson, mantendo-se em bom lugar Jon Fosse. Já agora, não ignorar a possibilidade de John Le Carré surpreender...

Há 20 anos exatos, nas várias previsões houve uma do Irish Times que vale a pena recordar. Escrevia-se: "Nomes como José Saramago, Hugo Claus e Cees Nooteboom apresentam-se de forma destacada. Além deles, dizem os especialistas, estão também António Lobo Antunes e Jorge Amado. Ainda se podem incluir nas possibilidades Ismail Kadaré, John Updike, Norman Mailer, Jaan Kross e Carlos Fuentes." A maioria destes autores já morreu e só Saramago venceu - no ano seguinte. Como a história se repete muitas vezes, Lobo Antunes e Kadaré estão este ano entre os maiores favoritos segundo os especialistas suecos.

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