Duas orquestras na abertura do AngraJazz

A big band da casa e um dueto franco-argentino encheram a primeira noite do Festival Internacional de Jazz de Angra do Heroísmo de sons estimulantes.

A noite começou com um forte aplauso de receção à Orquestra AngraJazz, e terminou com uma plateia rendida ao duo Baptiste Trotignon e Minino Garay. Os dois concertos da noite inaugural do Festival Internacional de Jazz da Terceira, Açores, encheram a casa e os sentidos a quem ontem esteve no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo.

A orquestra da casa, uma formação de 23 elementos, percorreu um conjunto de temas de cinco nomes do jazz cujo centenário se assinala este ano. Com o maestro Claus Nymark aos comandos, a big band deu vida a temas de Tadd Dameron, Dizzy Gilespie, Ella Fitzgerald e Lena Horne (com Sara Miguel na voz) e do incandescente Thelonious Monk. No final, uma sala entusiasmada e o maestro visivelmente satisfeito, perante uma orquestra de sorrisos: o trabalho de casa deste ano correu bem.

Formada por músicos amadores, a Orquestra AngraJazz prepara todos os anos um novo reportório para abrir o festival. No ano passado tocou The Far East Suite, de Duke Ellington, na íntegra - um programa que vai ser tocado em Ponta Delgada (28 de outubro) e no Funchal (18 de novembro) - e este ano homenageou os centenários do jazz.

A fechar a noite, o duo franco-argentino Baptiste Trotignon e Minino Garay. O francês ao piano e o argentino na percussão, deram o show da noite. Tocam juntos há seis anos depois de se terem conhecido num festival de jazz em Buenos Aires. Garay é todo ele, com e sem os instrumentos de percussão que o rodeiam, uma máquina de som. Os sons que faz batendo no peito, no chão, com a boca juntam-se ao piano, por vezes clássico, por vezes enlouquecido de Trotignon numa valente provocação sonora que nos leva de um tango de Gardel ao pop e ao jazz.

Entre dois temas, o francês, considerado um dos melhores pianistas de jazz do momento, que já tocou com músicos como Brad Mehldau, apresentou "a orquestra", apontando para Garay, de onde sairiam ainda mais sonoridades diversas até ao fim do espetáculo que terminaria com dois solos, um de cada, e os gritos de "bravo!" na plateia. (Hoje tocam no Hot Clube de Portugal, em Lisboa)

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