Direção-Geral do Património recorre à contratação de vigilantes no Museu de Arte Antiga

A Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) indicou hoje que o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, vive uma "situação atípica" de falta de vigilantes, e vai recorrer à contratação externa para reabrir as salas fechadas.

Contactada pela agência Lusa sobre o encerramento da maioria das salas do MNAA, a DGPC confirmou o seu encerramento parcial, justificando que "se deve à circunstância de se encontrarem sete vigilantes de baixa médica".

"Perante este facto, o encerramento temporário de algumas salas afigurou-se inevitável, de modo a preservar a segurança da coleção. A solução para esta situação atípica é a contratação externa de vigilantes, processo que a DGPC desencadeou de imediato, prevendo-se que o MNAA possa retomar o seu normal funcionamento no mais curto espaço de tempo", afirma a entidade que tutela museus, palácios e monumentos nacionais, numa resposta enviada à Lusa, por correio eletrónico.

Dentro de uma semana, a situação estará resolvida, disse fonte oficial da Direção Geral do Património Cultural ao DN.

O museu, que acolhe a mais relevante coleção pública de arte antiga portuguesa, tem desde há algumas semanas a maioria das salas de exposição fechadas ao público por falta de vigilantes.

No seu sítio 'online', foi colocado um aviso no qual explica que, de terça-feira a sexta-feira, estão totalmente encerrados os pisos 01 e 02, que acolhem as exposições de mobiliário português, artes decorativas francesas, ourivesaria, joalharia, arte da expansão e cerâmica.

Também está encerrado diariamente - entre as 12:00 e as 15:00 - o piso 03, com a coleção de pintura e escultura portuguesas, onde se encontram algumas das peças mais importantes do museu, entre as quais os Painéis de São Vicente.

No aviso 'online', o museu pede "desculpas pelo incómodo" aos visitantes, justificando o encerramento ao público com a "falta de assistentes técnicos (vigilantes/rececionistas)".

Contactado pela agência Lusa, o diretor do museu, António Filipe Pimentel, disse que não prestava declarações sobre o encerramento das salas.

Em novembro do ano passado, um turista que visitava a exposição de escultura e pintura antiga do MNAA, ao recuar para tirar uma fotografia, derrubou, acidentalmente, uma escultura oitocentista do Arcanjo São Miguel, que sofreu fraturas e perdas da camada policromada.

A obra foi depois enviada para o Laboratório José de Figueiredo para avaliação dos danos, foi reparada no museu por uma equipa multidisciplinar, e regressou ao museu em maio.

Na sequência do acidente, o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, chegou a ser questionado, no parlamento, sobre o acidente, e a eventualidade de ter tido na origem a falta de vigilantes no museu.

Na altura, o responsável pela tutela sustentou que o acidente "não resultou da falta de vigilância, porque havia um vigilante perto que até avisou o visitante".

Pouco tempo depois, a tutela anunciou a abertura de concursos para o preenchimento de vagas de vigilantes em museus, entre eles o MNAA, com o reforço de mais três funcionários.

Após seis meses de obras, o terceiro piso do museu - dedicado à pintura e escultura portuguesas - reabriu no ano passado com um novo percurso da exposição permanente, com 243 obras, na maioria pintura (152 peças), e um terço de escultura (91 peças) de autores portugueses, do século XIV ao XIX.

O MNAA tem sofrido ciclicamente falta de vigilantes durante o período de verão, quando começa a época de férias dos funcionários, e os diretores do museu foram por várias vezes forçados a fechar salas, devido à falta de segurança.

Em 2007 e 2008, tanto Paulo Henriques como Dalila Rodrigues, ambos então diretores do museu, encerraram salas expositivas, apesar das queixas dos visitantes, impedidos de entrar pelos motivos de segurança.

O MNAA foi o segundo museu mais visitado no primeiro trimestre deste ano, com cerca de 50 mil visitantes, logo a seguir ao Museu Nacional dos Coches, com 70 mil visitantes, que lidera habitualmente as entradas nos museus da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).

Os monumentos, museus e palácios nacionais receberam mais de 4,6 milhões de visitantes no ano passado, num aumento de 15,5% em relação a 2015, segundo dados divulgados pela DGPC no início do ano.

Criado em 1884, o MNAA acolhe a mais relevante coleção pública de arte antiga do país, de pintura, escultura, artes decorativas portuguesas, europeias e da Expansão Marítima Portuguesa, desde a Idade Média até ao século XIX, e é um dos museus com maior número de obras classificadas como tesouros nacionais.

Além dos Painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves, o acervo integra ainda, entre outros tesouros, a Custódia de Belém, de Gil Vicente, mandada lavrar por D. Manuel I, datada de 1506, os Biombos Namban, do final do século XVI, que registam a presença dos portugueses no Japão.

Hieronymous Bosch, Albrecht Dürer, Piero della Francesa, Hans Holbein, o Velho, Pieter Bruegel, o jovem, Lucas Cranach, Jan Steen, van Dyck, Murillo, Ribera, Nicolas Poussin, Tiepolo são alguns dos mestres europeus representados na coleção do MNAA.

O Museu Nacional dos Coches, com 70.227 visitantes, lidera as entradas nos museus da DGPC, neste primeiro trimestre do ano, registando um aumento de 01,4 por cento.

Em segundo lugar está o MNAA, com 47.089 visitantes, e um aumento de 01,8 por cento em relação ao primeiro trimestre de 2016.

Em 2016, o MNAA somou 175.578 visitantes, mantendo o segundo lugar na lista dos mais visitados dos museus nacionais.

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