Diogo Morgado: a vida depois de ser Hot Jesus em Hollywood

Diogo Morgado terminou o seu filme como realizador. Chama-se Excuse e Daniela Ruah surge em destaque. O DN já o viu e falou com o ator que se sente sobretudo um storyteller...

Diogo Morgado não precisou do bruaá de Hollywood para se aventurar na realização. Ainda em Portugal, há três anos, pegou em Rui Unas e realizou a curta não financiada Break. Pouca divulgação terá tido, mas agora, também com um orçamento reduzido, filmou Excuse, em Hollywood, a partir de um pequeno conto de Cynthia Garazi. São 15 minutos bem estimáveis que revelam um olhar cinematográfico e uma direção de atores segura. Para já, a ideia é levar o filme para o circuito dos festivais e servir como cartão-de-visita para voos mais longos.

Excuse apoia-se numa interpretação forte de Daniela Ruah, uma paciente traumatizada que escapa por breves momentos do seu quarto de hospital para fumar no terraço. Aí, conhece Alex, outro paciente com traumas semelhantes. Brenda e Alex parecem fazer sentido na erosão das mágoas particulares. Naquele diálogo ao sol da Califórnia tocam-se mutuamente naquilo que de mais íntimo ambos escondem. O filme não muda de décor, mas são várias as emoções que passam por essa conversa.

Para quem tem a ideia de que Ruah pode ter tiques de série americana formatada (Investigação Criminal: Los Angeles) ou de atriz de telenovela portuguesa, vai ter um choque. Há uma intensidade imensa na sua gama de emoções e as explosões dramáticas são fulgurantes. Diogo Morgado percebeu que Daniela Ruah é um rosto para cinema.

Sobre a primeira longa, vai com calma: "Há várias hipóteses a ser trabalhadas. Há quem ache que a primeira longa deva ser um atestado à capacidade técnica do realizador, outros dizem que deve ser a assinatura do género de realizador que se está a apresentar. Sinceramente não sei. Acho que a primeira longa será aquilo que fizer mais sentido consoante as circunstâncias da altura."

A ascensão em Hollywood de Diogo Morgado fez-se a partir da série televisiva A Bíblia, que teve recordes de audiência. A sua interpretação como Jesus deu nas vistas e até Oprah Winfrey o levou ao seu talk show, chamando-lhe Hot Jesus (Jesus bonzão). Da montagem televisiva saiu um filme, O Filho de Jesus, estreado em 2014, sem grandes resultados nas bilheteiras.

Seguiram-se papéis de destaque em filmes de indústria feitos para vídeo ou TV, como Born to Race - Fast Track, Red Butterfly e Love Finds You in Valentine, todos com nome e rosto em grande no cartaz. Mas o destaque terá sido a participação na série CSI: Cyber e na minissérie The Messengers, ambas inéditas por cá. Por fazer continua um projeto do conceituado James Foley, em que iria ser o protagonista ao lado de Al Pacino. "O balanço só tem sido positivo. Sinto que tenho evoluído e aprendido como profissional de uma forma muito interessante. Estar num mercado tão competitivo faz-nos estar alerta e trabalhar de forma ainda mais ativa todos os nossos músculos criativos", conta.

Mas a sua maior paixão é ser contador de histórias: "Isso é o que amo fazer. Contar histórias, umas especiais, outras diferentes, umas inspiradoras, outras provocadoras e outras de puro divertimento e devaneio. Quero que as histórias interajam com quem as vê."

Apesar de se mover em Hollywood como um verdadeiro "angelino", prefere sempre a sua Lisboa. Talvez por isso tenha vindo filmar em 2014 Virados do Avesso, comédia de Edgar Pêra, e queira voltar em abril para o nascimento do seu novo bebé.

Veja aqui Break:

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