Despertar em força

Star Wars - O Despertar da Força, de J.J. Abrams

J.J. Abrams abraçou uma dupla missão: dar a continuidade justa à saga que se tornou emblemática, precisamente, pela sua primeira trilogia, e recuperar a confiança do público, abanada com os últimos episódios (I, II e III). À luz do novo título, pode-se dizer que tudo isso se refletiu num grandioso despertar.

O sétimo episódio de Star Wars é, assim, um objeto curioso pela sua capacidade de reunir novas sensações - diretamente relacionadas com os recursos tecnológicos - e deixar entrar os valores originais dos filmes de 1977, 1980 e 1983. A saber, a amizade, a coragem, e mesmo o sentido genuíno da aventura, envolvida num humor simples mas cativante. Abrams, ao dar progresso ao enredo galáctico, não lhe acrescenta uma complexidade vultuosa. Sobretudo, voltar a ver Han Solo (Harrison Ford), Chewbacca (Peter Mayhew), a Princesa Leia (Carrie Fisher), Luke Skywalker (Mark Hamill), entre outros, a quem se juntam o novo vilão Kylo Ren (Adam Driver), e os jovens lutadores contra o "lado negro da Força", Rey (Daisy Ridley) e Finn (John Boyega), é uma circunstância dramaticamente muito bem construída.

Classificação: ****

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.