Designer da Apple criou uma ampulheta de 10 mil euros. Sabe para que serve?

A mais recente criação de Marc Newson custa 12 mil dólares e tem a duração de 10 minutos.

Serve para... olhar.

É o que diz a marca com quem o designer australiano trabalhou na criação desta ampulheta de vidro. "Às vezes, vemos um objeto e ele simplesmente cativa-nos. Não se pode desviar o olhar. Não se consegue realmente explicar o que se está a ver também", diz a relojoeira Hondikee sobre o objeto criado pelo mesmo homem que tem trabalhado desde 2014 em estreita colaboração com Apple e com Jonathan Ive, o diretor de design da empresa.

O preço é de obra de arte: 12 mil dólares, isto é, 10 600 euros.

"Inspira-se no mais básico medidor de tempo alguma vez inventado e leva-o até ao limite", diz o mesmo texto, indo direto ao ponto: é uma edição exclusiva.

A ampulheta de Marc Newson

Apenas 100 exemplares foram produzidos.

Os seus 15 centímetros de altura e 12,5 de diâmetro do que parece ser vidro, e é na verdade o que temos por hábito chamar pyrex, guardam não areia como seria de esperar, mas nanobolas, 1 249 996 delas. Cada uma com um diâmetro de 0,6 milímetros. São feitas de aço coberto de cobre. No total, a peça pesa 1,5 quilos. E destes, 1,1 pertencem ao conteúdo.

Os poucos exemplares produzidos agora são todos feitos à mão. A marca diz que são produzidos na Europa numa fábrica em local que não divulgam. Marc Newson, no seu site, explica que é na Suíça que são moldadas as duas metades da ampulheta. A parte mais complexa é a central, pois tem de deixar espaço para a passagem do tempo, isto é, das nanobolas, mas não pode ser demasiado largo. A medida é feita a olho, já que qualquer outra intervenção poderia estragar o vidro quente. Só depois são introduzidas as nanobolas e é selado o objeto.

Newson retoma nesta ampulheta, apresentada há dois dias, uma ideia de 1994, quando estava à frente da marca Ikepod e antes de fundar um estúdio em nome próprio. Não é um estranho no desenho de relógios e aparelhos de medição do tempo.

Nascido em Sydney há 53 anos, trabalhou com mobiliário e outros objetos, como malas Louis Vuitton, eletrodomésticos, canetas e aviões. O seu trabalho pode ser visto em vários museus. Está no MoMa, em Nova Iorque, no Victoria & Albert, em Londres, no Centre Georges Pompidou, em Paris, e também no MUDE - Museu do Design e da Moda, em Lisboa.

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