Desenhos em carvão e em ferro no encontro de Pomar e Chafes

Desenho, em carvão e em ferro, foi o princípio deste encontro entre Pomar e Chafes, na casa do pintor

Quando o burburinho se dissipa e as pessoas começam a dispersar-se, uma jovem de cabelo roxo aproxima-se e pede para cumprimentar Júlio Pomar e "agradecer-lhe pelo seu trabalho", apertando a mão do pintor português. Sentado numa cadeira, Pomar aprecia a inauguração de uma nova exposição no ateliê-museu com o seu nome, uma casa branca criada por Siza Vieira na lisboeta Rua do Vale, vizinha do verdadeiro local de trabalho do artista. Os colegas, atrás, acenam timidamente.

Ele sorri e agradece. "Como uma rock star", diz um amigo a Júlio Pomar. O pintor tinha acabado de dizer que se sentia "surpreendido". "É uma prova que poucos artistas devem ter em vida. Uma prova de amor", diz ao DN. É quinta-feira, dia 8, 19.00, e as portas abriram-se para deixar ver a nova exposição do Museu Júlio Pomar e Rui Chafes: Desenhar, que por aqui ficará até 21 de fevereiro do próximo ano.

Sara Antónia Matos, diretora do ateliê-museu, assina a curadoria do trabalho e traz de novo ao público desenhos do caderno Figueiras, reveladas na exposição Caveiras, Casas, Pedras e Uma Figueira, há dois anos, numa mostra comissariada por Delfim Sardo.

O curador é uma das muitas pessoas que se encontram na inauguração. "Aqueles desenhos são maravilhosos, são muito interessantes", reitera, adiantando que "a montagem está maravilhosa" e, olhando para a escultura de Rui Chafes que ocupa o piso térreo do museu, que se pode apreciar na totalidade desde o primeiro piso, em efeito piscina. A escultura, desenhos feitos no ar, joga com os desenhos e o movimento de Pomar.

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