De Pavilhão da Utopia a Meo Arena

A maior sala de espetáculos do país nasceu para a Expo'98. Obra do arquiteto português Regino Cruz em parceria com um gabinete internacional, está vocacionado para espetáculos e eventos desportivos. No 20º aniversário, recebe a Eurovisão

O Pavilhão da Utopia ocupa a zona central do Parque das Nações, em Lisboa. Para uns um OVNI, para outros uma caravela invertida, certo é que não passa despercebido. Em maio de 2018, 20 anos depois da sua inauguração, recebe o Festival Eurovisão da Canção, que se realiza pela primeira vez em Portugal.

Da autoria do arquiteto português Regino Cruz, em parceria com o gabinete internacional Skidmore, Owings & Merril, o edifício tem capacidade para 20 mil lugares na Sala Atlântico. Com uma área bruta construída de 42,6 metros quadrados, a cobertura desta arena tem capacidade de suporte para equipamentos até 100 toneladas, segundo o atelier português.

O arquiteto foi buscar a forma do icónico pavilhão ao mote da exposição mundial de Lisboa, a Expo'98: "Os Oceanos, um Património para o Futuro". O desenho tem alusões às naves quinhentistas e a um pequeno caranguejo ferradura, que existiu no período Jurássico, refere a memória descritiva do projeto. "Com este projecto, o caranguejo ferradura complementou a origem da ideia. A ideia de uma forma zoomórfica, como um ser marinho numa escultura; a ideia de uma estrutura, como se de uma barca do Tejo se tratasse; a ideia de uma matéria-prima, a madeira, como material de destaque na História de Portugal", refere o texto.

Eis o Pavilhão da Utopia, hoje Meo Arena. Um edifício que é inaugurado em 1998, com a preocupação de ser um pavilhão multiusos, comercialmente rentável, dotado de elevada tecnologia e um design inovador. "Como se se olhasse o interior de uma nave gigante, de quilha virada para o céu, aparece o espaço soberbo do Pavilhão Atlântico", acentua o atelier de arquitetura.

O edifício já foi premiado. Em 1998, uma menção Honrosa no Prémio Valmor, em 2001 a Medalha de Ouro a nível mundial no Concurso do Comité Olímpico Internacional "IOC/IAKS Award" (2001), o "Most Innovative Structure Award" pela Structural Engineers Association of Illinois, USA (2001).

Durante a Expo'98 recebeu o espetáculo Oceanos e Utopias, que decorria diariamente, quatros vezes por dia. Depois, recebeu grandes espetáculos musicais. Coldplay, Carlos Santana, Bruno Mars, Elton John, Placido Domingo ou Britney Spears foram alguns dos nomes que por ali passaram.

O Pavilhão da Utopia, depois Pavilhão de Portugal e hoje Meo Arena, partilha o território do Parque das Nações com outros edifícios da Expo'98. A Exposição Mundial, que tinha como tema os Oceanos, deu o mote à reabilitação da Zona Oriental de Lisboa. No recinto da exposição, que decorreu de maio a setembro de 1998, encontram-se o Pavilhão de Portugal, de Siza Vieira, a Estação do Oriente, de Santiago Calatrava, o Oceanário, de Peter Chermayeff, o Pavilhão do Conhecimento, de Carrilho da Graça ou a FIL, de Barreiros Ferreira e França Dória.

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