De Marselha para os Jerónimos. O visitante 1 milhão veio de França

O Mosteiro dos Jerónimos fechará 2016 com números históricos. Ontem, o visitante 1 milhão entrou no monumento. Veio de França e poupou os 10 euros do bilhete, presente da Direção Geral do Património Cultural.

O número redondo, um milhão de visitantes no Mosteiro dos Jerónimos, era uma certeza para Paula Silva, diretora-geral do Património Cultural. Calculava que o número chegasse em dezembro, mas o turismo em Lisboa, a crescer, antecipou a festa. Ontem, 22 de novembro, o número histórico foi alcançado num monumento que é, por si só, o mais visitado do país. Em 2015, o Mosteiro dos Jerónimos tinha recebido cerca de 944 mil visitantes.

As receitas também refletem o aumento de visitantes. Estão agora nos 5,5 milhões de euros, segundo a diretora do Mosteiro dos Jerónimos, Isabel Cruz Almeida.

Passavam poucos minutos das 11.00 quando Aurore Albert e o namorado, Misha Senelle, 29 e 31 anos, franceses de Marselha, chegaram à bilheteira no Mosteiro dos Jerónimos. Ouviu-se um sino, palmas e detrás do balcão saiu um bilhete gigante que assinalava a ocasião. Com um dos dois bilhetes do casal, o Mosteiro dos Jerónimos ultrapassa a fasquia histórica. De presente, receberam entrada gratuita no monumento.

"Que surpresa", diziam, já no claustro dos Jerónimos, um dos locais que Aurore Albert, com o guia na mão, queria ver. O que os atraiu? "Ser um monumento que é património da Humanidade da Unesco", afirmou a turista. "Nos guias franceses, os Jerónimos aparece como um destino três estrelas", explica a diretora geral do Património Cultural. "Aqueles que vale a pena a viagem só para os ver", decifra.

Aurore Albert e Misha Senelle, assistente social e enfermeiro, chegaram a Portugal no domingo e partem na quinta-feira. "Temos muitos amigos que vieram e que nos diziam para vir", afirma. Depois de terem estado na Baixa, Bairro Alto e Mouraria, Fundação Calouste Gulbenkian, Museu da Cidade e Arco da Rua Augusta, ontem dedicavam o dia à zona de Belém, com passagem pelo Museu de Arte Arquitetura e Tecnologia.

"Tivemos muito mais franceses este ano", confidencia ao casal de turistas a diretora do Mosteiro. A pensar neste público e também nos falantes de espanhol, outra nacionalidade em destaque entre os visitantes (como revelou o Estudo de Públicos divulgado este ano), um dos objetivos da DGPC para 2017 é a publicação de informação em francês e castelhano, antecipou Paula Silva.

Outro propósito para 2017 é agilizar o método de aquisição de entradas "aliviando a entrada", explica Paula Silva. "Estamos a trabalhar para conseguir vender os bilhetes em empresas especializadas".

Nos Jerónimos, 80% dos visitantes são estrangeiros e 20% portugueses. "Dito assim, o nosso número de portugueses não parece nada, mas temos mesmo muito visitantes. Somos um dos monumentos que recebe mais escolas", explicou a diretora, enquanto no primeiro andar um grupo de teatro mostrava o monumento e animava os grupos escolares com um auto de Gil Vicente, contemporâneo do rei D. Manuel, "pai" deste monumento que funda o estilo manuelino. Os números não perturbam o funcionamento, garante a diretora. Caso distinto da Torre de Belém, onde a DGPC estuda a limitação das entradas.

A bilhética conjunta, que dá acesso à Torre de Belém, Jerónimos e Museu de Arqueologia também fez crescer este último. Foram vistos por 122 282, um aumento de 26,7%. "O Museu de Arqueologia é entendido como parte do todo", resume o diretor, António Carvalho. Com receitas de cerca de 1,5 milhões de euros.

Durante o primeiro semestre deste ano, o número de visitantes no Mosteiro dos Jerónimos cresceu acima dos 20%. Neste e em outros cinco locais dos 23 tutelados pela DGPC. A saber: Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto; Museu Nacional de Arqueologia e Museu Nacional de Etnologia, ambos na zona de Belém; e o Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, e Museu Nacional Grão Vasco, em Viseu. "O que só mostra que o turismo tem crescido a nível nacional", sustenta Paula Silva.

Na média nacional dos 23 monumentos, palácios e museus, até outubro o aumento médio foi de 14,2%. O Museu Machado de Castro foi o que mais cresceu: 48,2% entre janeiro e outubro deste ano, traduzidos em 99 183 visitantes contra os 66 939 de 2015.

No total do ano, entre janeiro e outubro de 2016, a DGPC arrecadou 13 433 milhões de euros, o que representa um aumento de 8,1% em relação aos 12 426 milhões do mesmo período em 2015.

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