Cresce o número de visitantes nos monumentos, palácios e museus

O número total de visitantes dos 23 equipamentos geridos pela Direção-Geral do Património Cultural cresceu no primeiro semestre do ano. Descem, porém, os estrangeiros que visitaram os palácios da Ajuda e de Mafra

Os 23 monumentos, palácios e museus tutelados pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) registaram mais 217 664 entradas no primeiro semestre do ano do que no mesmo período em 2016. Os 2 210 986 contabilizados em 2016 cresceram para 2 428 650 entradas no que levamos de 2017.

Outro dado que sobressai dos números ontem divulgados pela DGPC é o crescimento de visitantes portugueses. São mais 12,3% do que em período homólogo. "Não é só turismo", afirma a diretora-geral do Património Cultural, Paula Silva, ao DN. Mas o número de estrangeiros também cresceu: 8,6%.

Uma análise mais detalhada mostra que aumentaram os portugueses nos monumentos, museus e palácios, mas os estrangeiros só cresceram nas duas primeiras categorias. Nos palácios regista-se uma diminuição de 2%. Foram 69 542 visitantes no primeiro semestre de 2016 (menos 1419 entradas) e 68 123 no mesmo período de 2017. No geral, os números cresceram com o aumento de 9,7% de entradas nacionais (de 139 837 para 153 397).

Nas estatísticas gerais, os monumentos continuam a ser os equipamentos que atraem mais visitantes. Cresceram 12,3%. O Mosteiro dos Jerónimos mantém-se como o mais visitado de Portugal.

Património da Humanidade segundo a UNESCO, o Mosteiro dos Jerónimos recebeu 570 889 visitantes na primeira metade de 2017. Em 2016, ultrapassou a marca do milhão de visitantes pela primeira vez, um resultado que deverá repetir-se neste ano, uma vez que é no segundo semestre que Portugal recebe mais visitantes.

Na Torre de Belém, outro monumento tutelado pela DGPC, a estratégia tem sido manter o número de visitantes, "não vendendo alguns bilhetes para que não chame mais gente", justifica Paula Silva, referindo-se ao facto de terem deixado de vender entradas em bilhetes conjuntos, uma medida de preservação do monumento "relativamente simples", como classificou em abril, em entrevista ao DN. "A Torre de Belém é aquele que vai exigir esse rácio de pessoas para o conforto delas próprias e, principalmente, para a conservação e segurança. É um monumento pequeno, delicado e frágil e, portanto, tem de ser tratado em consonância", disse então.

A diretora-geral do Património Cultural refere ainda outro aumento de dois dígitos: os 21,5% mais de entradas do Mosteiro da Batalha. Ao todo, foram 205 300 visitantes. "O que terá seguramente que ver com Fátima", considera a arquiteta Paula Silva. "É provável que este ano cheguem ao meio milhão de visitantes", acrescenta.

Encolheram os números do Museu Nacional dos Coches, "que fechou durante um mês para a instalação da museografia", justifica Paula Silva, mas aumentaram 163% no Museu de Etnologia (25 145 visitantes), à boleia das exposições World Press Photo e da arquitetura timorense. No Museu de Arte Contemporânea (59 409 entradas) foram mais 136,7%, coincidindo com o período em que esteve patente a exposição de Amadeo de Souza-Cardoso Porto-Lisboa, 2016-1916. E no Museu de Arte Popular verificou-se uma variação positiva de 104,9% na sua reabertura ao público com a exposição Da Fotografia ao Azulejo.

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