Coura é bom. "Da música, ao ambiente, até os preços"

Espanhóis marcam forte presença em Paredes de Coura, que celebra nesta edição os 25 anos. Um festival que tem mudado e que conta com um público mais jovem. Ontem foi o primeiro dia e a música começou a soar às 19.30

"Paredes de Coura porquê? Tem muito boa música, este cenário natural maravilhoso, é perfeito." A descrição é feita por Jaime, que viajou desde Madrid, "Segovia mais exatamente", para o Minho. "Além disso, é muito barato, a entrada, a cerveja...", acrescentou logo o amigo Javier. São o exemplo dos muitos espanhóis que por estes dias acampam na terra nortenha para os quatro dias do festival que celebra os seus 25 anos. "Sim, é comum ouvir falar castelhano por aqui. Creio que a maioria vem pelas mesmas razões que falei, com a principal a ser também a mais óbvia: é perto e tem bom ambiente", resume Jaime, que já esteve em Coura em 2005, enquanto Javier é estreante. The Wedding Present, Lightning Bolt, At the Drive-In e Kate Tempest são os nomes que destacam do cartaz.

E foi, como sempre, junto ao rio, ao lado do parque de campismo, que a maioria dos festivaleiros se concentrou ontem antes do início dos concertos. Em 25 anos houve muitas mudanças na organização do espaço e na melhoria das condições. Hoje atravessa-se o rio por uma ponte temporária e na margem onde se acumulam tendas há stands de bebidas, com um grande Vodafone Power Bar a distinguir-se. "É diferente, mais comercial é certo, mas os tempos também mudam", admite Francisco, 48 anos, que já perdeu a conta às edições em que esteve em Coura, algumas a tempo inteiro e a acampar, outras só por um dia para ver um determinado grupo, como foi o caso da Rollins Band, em 1997. "Para se ter bons cartazes de nível internacional, há que conceder um pouco. O ambiente mantém-se bom, é para quem gosta de música", diz, entusiasmado com a ideia de, neste ano, assistir aos Future Islands.

A média etária é mais baixa, claramente mais baixa. Sónia e Joana são exemplo disso. Têm 21 e 22 anos, são do Porto. "Já estivemos aqui em três festivais anteriores. É bom, é tudo organizado e as bandas são do melhor", diz Sónia, fã de Benjamin Clementine, e satisfeita por conseguir tranquilidade no meio de tanta gente. "Não há muitos festivais assim."

A música ontem começou às 19.30 e com a prata da casa. A Escola do Rock, um projeto promovido pela Câmara Municipal de Paredes de Coura, presidida por Vítor Paulo Ribeiro, um dos quatro aventureiros que há 25 anos se lançaram na organização de um festival de música. São 40 jovens músicos, a maioria rapazes, com o mais novo a ter 12 anos. Com os festivaleiros ainda a agrupar-se junto ao palco, desfiaram um conjunto de clássicos do rock desde Led Zeppelin a Beatles, com grandes temas de bandas que passaram pelo festival como Arcade Fire, dEUS, Pixies ou Queens of the Stone Age.

Foi o momento de uma memória da música feita pelos mais novos numa edição que privilegia as mais recentes sonoridades. Mas ontem o dia era mais de celebração de álbuns históricos. Foi assim com The Wedding Present, em palco para recuperarem o seu disco de estreia, George Best, editado há 30 anos. A banda de Leeds já tinha feito uma surpresa ao atuar junto ao rio, num miniconcerto que serviu de aperitivo para a atuação noturna.

Seguiu-se outra revisitação, com os Mão Morta, um dos grupos que mais vezes atuaram em Coura, a tocarem os temas do álbum Mutantes S21, já com milhares de espectadores no anfiteatro natural minhoto. Beak, Future Islands e Kate Tempest completariam a noite.

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