Continua a cheirar a Óscares em Toronto

O Festival de Cinema de Toronto começa a aquecer os motores e anuncia os primeiros nomes. Filmes de luxo para um festival que não esquece o cinema português.

Um festival que arranca com um blockbuster quer marcar posição. Os Sete Magníficos, de Antoine Fuqua foi ontem anunciado como o filme de abertura. Trata-se de um dos trunfos da próxima temporada de Hollywood. Um espetáculo de grande orçamento com superestrelas e um apelo imediato à grande espetacularidade, neste caso um remake de Os Sete Magníficos, de John Sturges, o western clássico de 1960, que por sua vez era já uma versão de Os Sete Samurais, de Kurosawa. Ethan Hawke, Chris Pratt e Denzel Washington são as estrelas de serviço, certamente presentes no tapete vermelho de dia 8 de setembro.

Se no ano passado este festival exibiu filmes com pedigree de prémios como Perdido em Marte, Quarto, Brooklyn e Trumbo, este ano a lista dos filmes anunciados indiciam a mesma embalagem pré-Óscars, sobretudo no caso de Birth of a Nation, de Nate Parker, com Armie Hammer, filme já adquirido pela Fox em resposta à aclamação geral no Festival Sundance. Depois de Toronto, poderá confirmar o seu estatuto de primeiro grande favorito.

Mas um dos acontecimentos no TIFF será a adaptação de American Pastoral, o livro de Philip Roth, agora transposto ao cinema pelo estreante realizador Ewan McGregor, que é também o protagonista juntamente com a oscarizada Jennifer Connelly. Muito mediática será ainda a estreia de Snowden, o novo projeto de teoria de conspiração de Oliver Stone sobre Edward Snowden. Um thriller protagonizado por Joseph Gordon Levitt.

Atenção igualmente a Trespass Agains Us, de Adam Smith, com Michael Fassbender, um drama britânico sobre uma família de criminosos e as suas relações internas. Diz-se já que pode valer a Fassbender nova nomeação ao Óscar. E é também com esperanças de Óscar que chega o segundo filme do génio da mundo da moda, Tom Ford. Chama-se Animais Noturnos e tem Jake Gyllenhaal e Amy Adams como protagonistas numa história de vingança literária situada no "mileu" das artes plásticas. Amy Adams que é também a atriz de Arrival, outro dos títulos muito esperados do festival. Uma variação de Encontros Imediatos do Terceiro Grau filmada pelo canadiano Denis Villeneuve, onde Adams é uma linguista que vai tentar perceber se um grupo de aliens que invadiu a Terra vem em paz ou não.

Um dos títulos muito esperados no festival é Salt and Fire, o novo de Werner Herzog. Logo a seguir ao falhanço artístico de A Rainha do Deserto, o cineasta alemão viaja até à América do Sul para um thriller com bandeira ecológica com Michael Shannon. É uma incógnita, tal como Deepwater Horizon, de Peter Berg, filme de "major" com Mark Whalberg, que tenta relatar um dos maiores acidentes ecológicos nos EUA quando se deu um derrame de petróleo em 2010 no Golfo do México. Uma coisa é certa: não faltarão estrelas no "red carpet", inclusive algumas vindas do festival rival, o de Veneza, como é o caso e Ryan Gosling e Emma Stone, o casal de La La Land, de Damien Chazelle.

Igualmente não vai faltar a estreia mundial da animação Sing, de Garth Jennings, onde os animais competem num concurso de talentos. Uma animação com a chancela da Illumination.

Ontem ainda não foram anunciados filmes das secções mais experimentais ou do "cinema do mundo", mas o DN sabe que O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues, vai estar presente em Toronto. Aquele que é um dos mais internacionais cineastas portugueses regressa ao festival depois de estrear este filme no Festival de Locarno.

Também com presença certa está A Brief History of Princess X, de Gabriel Abrantes, curta-metragem que venceu recentemente o prémio de melhor realização no Festival Curtas Vila do Conde. Mesmo com todo o aroma a Óscares e a glamour, a baixa de Toronto vai ter cinema português.

Ler mais

Exclusivos

Premium

nuno camarneiro

Uma aldeia no centro da cidade

Os vizinhos conhecem-se pelos nomes, cultivam hortas e jardins comunitários, trocam móveis a que já não dão uso, organizam almoços, jogos de futebol e até magustos, como aconteceu no sábado passado. Não estou a descrever uma aldeia do Minho ou da Beira Baixa, tampouco uma comunidade hippie perdida na serra da Lousã, tudo isto acontece em plena Lisboa, numa rua com escadinhas que pertence ao Bairro dos Anjos.

Premium

Rui Pedro Tendinha

O João. Outra vez, o João Salaviza...

Foi neste fim de semana. Um fim de semana em que o cinema português foi notícia e ninguém reparou. Entre ex-presidentes de futebol a serem presos e desmentidos de fake news, parece que a vitória de Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza, no Festival do Rio, e o anúncio da nomeação de Diamantino, de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes, nos European Film Awards, não deixou o espaço mediático curioso.