Consórcio de Lisboa 'nasceu' formalmente

Um prémio de Investigação para o melhor trabalho desenvolvido no âmbito do Consórcio de Lisboa e a realização anual da Lisbon Summer School for the Study of Culture são acções previstas nesta 'rede', que hoje 'nasceu' formalmente.

No Museu do Design e da Moda (MUDE) de Lisboa foi assinado o protocolo do 'desafio' lançado pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa e que hoje se concretizou no Consórcio de Lisboa, com a participação da autarquia lisboeta, Culturgest, Cinemateca, Museu do Teatro, Fundação Calouste Gulbenkian, e Centro Nacional de Cultura.

A partir do modelo do Consórcio de Londres, que inclui nomeadamente a Tate Modern, a FCH vai, a partir de Setembro, disponibilizar uma 'formação avançada pioneira' no país, afirmou a responsável pelo projecto, Isabel Gil.

Na base está o 'repensar' dos mestrados e doutoramentos em Estudos Culturais e numa 'óptica de diálogo e colaboração entre universidade e os agentes culturais'.

Com uma componente também internacional, a responsável afirmou que este Consórcio pretende 'divulgar Lisboa como forte pólo de atracção para a reflexão sobre o fenómeno da cultura e atrair massa crítica internacional para os projecto em curso'.

Nas suas palavras, esta é uma 'formação integrada' para preparar 'quadros de oportunidades de uma economia criativa em potencial expansão', uma contribuição para a 'produção de conhecimento', assim como para 'reforçar o potencial' de Lisboa como 'centro de conhecimento da economia da cultura'.

De forma, a concretizar as metas haverá colaboração entre a Universidade e as várias instituições, que passam por estágios, investigação de acervos quer por solicitação dos estudantes, quer das entidades.

A realização anual da Lisbon Summer School for the Study of Culture (Escola de verão de Lisboa para o Estudo da Cultura) e a atribuição de um prémio, a partir de 2012, para o melhor trabalho realizado no âmbito do Consórcio.

A vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, destacou a importância da colaboração que resulta num 'cruzamento de formação, investigação e prática artística' e na 'requalificação dos artistas, agentes e instituições culturais'.

O cruzamento de sensibilidades foi visível durante a assinatura do protocolo, no meio do primeiro andar do MUDE, com os visitantes a observarem curiosamente o ato e a música dos anos 70 a servir de pano de fundo aos discursos institucionais.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.