Concertos e festivais que fecham o ano

The Cure, PJ Harvey, Elton John ou Justin Bieber: muitas propostas nos palcos nacionais para públicos tão diferentes até ao final do ano

António Zambujo e Miguel Araújo, que têm sido o grande fenómeno de popularidade ao vivo depois de esgotarem 17 (!) coliseus do Porto e de Lisboa, voltam a estas salas, para mais cinco concertos na Invicta (12 a 16 deste mês) e outros seis na capital, entre 27 deste mês e 2 de outubro. Mas ainda há mais dois espetáculos desta dupla: a 28 de outubro no Pax Júlia, em Beja, e, por último, na Maia, em data a anunciar.

As bandas mais históricas do rock nacional, os Xutos & Pontapés e os GNR, vão fazer valer os trunfos do passado em palco. A banda de Zé Pedro e Tim volta ao registo acústico no lisboeta Coliseu dos Recreios a 29 de outubro. Os GNR celebram os 35 anos de carreira com espetáculos a 5 de novembro no Multiusos de Guimarães e no dia 12 no Campo Pequeno, em Lisboa.

Os D.A.M.A. e Agir têm saboreado a curva ascendente das suas carreiras. E é isso que vão medir: os D.A.M.A. a 21 de outubro no MEO Arena, em Lisboa; e Agir a 1 de novembro no Coliseu do Porto e no dia 18 no Coliseu dos Recreios.

Não vão faltar digressões de artistas internacionais a assentar arraiais em Portugal. Os Cure vão fazer do MEO Arena uma catedral gótica a 22 de novembro; três dias depois, o antigo Pavilhão Atlântico vai transfigurar-se para albergar a estrela pop canadiana Justin Bieber. No dia 10 de dezembro, o mestre da chanson française Charles Aznavour dará charme à maior sala de espetáculos do país, que no dia seguinte recebe, sete anos depois, Elton John.

Vai haver algumas compensações nestes últimos meses. PJ Harvey (agora ao saxofone), que só atuou no Porto em junho, apresenta-se desta vez em Lisboa, no Coliseu dos Recreios, a 29 de outubro. Os Pixies, que só foram ao Alive (em Algés) em julho, regressam a 21 de novembro a uma sala que conhecem desde 1991: o Coliseu do Porto. E, já que estamos no parágrafo indie, é obrigatório mencionar o concerto dos rockers The Kills a 3 de novembro, no Coliseu dos Recreios, e um dia depois no portuense Hard Club.

O setentão mais jovem do mundo, Ney Matogrosso, traz o espetáculo Atento aos Sinais ao Coliseu do Porto (2 de outubro) e ao Casino Estoril (4 e 5 de outubro). Também em trajetória entre o Porto e a Grande Lisboa vai estar a dupla Zélia Duncan e Zeca Baleiro no Coliseu do Porto a 7 de outubro e no Campo Pequeno no dia 8. Outra dupla brasileira, Ana Carolina e Seu Jorge, sobe ao palco do MEO Arena a 28 de outubro. É a primeira vez que os dois atuam juntos em Portugal.

E não há só festivais nos meses quentes. O Festival para Gente Sentada muda-se para Braga já a 16 e 17 deste mês e tem como nomes fortes a brasileira (e já bem aportuguesada) Mallu Magalhães e o sueco José González. A edição deste ano do festival de fado bem bairrista Caixa Alfama acontece a 23 e 24 deste mês: Carminho, Ricardo Ribeiro ou Gisela João abrilhantam o programa, que tem a curiosidade de incluir Marina Mota (que também vem do fado) a atuar no Centro Cultural Dr. Magalhães Lima. Já é impossível imaginar o outono sem o itinerante Misty Fest, que de 1 a 13 de novembro vai fazer que artistas como Wim Mertens ou José James percorram as várias salas do país. E o alfacinha Vodafone Mexefest volta a criar aquele frenesim das turbas indies Avenida da Liberdade abaixo e acima, neste ano nos dias 25 e 26 de novembro - o rapper Talib Kweli ou o soulman Charles Bradley estão já confirmados no cartaz.

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João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

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Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.