Concerto imersivo conta história das Ruínas do Carmo

A partir desta quarta-feira, 3 de maio, "Lisbon Under the Stars" conta a história da Igreja do Carmo, de Lisboa e do País, com a ajuda de muitos convidados: Catarina Furtado, Mariza, Teresa Salgueiro, Rão Kyao, Clara Adermatt, Companhia Nacional de Bailado, Coro de Câmara Lisboa Cantat, Tocá Rufar, Orquestra de Câmara da GNR. E até Amália Rodrigues.

Contar a história das ruínas da Igreja do Carmo, em Lisboa, é o ponto de partida para o espetáculo de luz imersivo que a partir desta quarta-feira, 3 de maio, e até 30 de junho vai tomar este edifício medieval, ainda hoje uma testemunha viva do terramoto de 1 de novembro de 1755.

Em Lisbon Under the Stars, o primeiro espetáculo do ateliê OCubo com bilheteira, "é a própria Igreja do Carmo que conta os seus mais de 600 anos de história, desde o momento em que D. Nuno Álvares Pereira fez a promessa de a construir após a vitória portuguesa na Batalha de Aljubarrota, passando pelas naus no Tejo no tempo das Descobertas ou pela cidade a ser destruída pelo terramoto", explica Nuno Maia, diretor criativo.

"Tratando-se de uma história muito portuguesa e de grande portugalidade, recorremos a vários artistas nacionais, dos mais variados estilos como suporte musical para o projeto", adianta ainda Nuno Maia. Luís de Freitas Branco, Mariza, Rão Kyao, Teresa Salgueiro, Coro de Câmara Lisboa Cantat e Orquestra de Câmara da GNR são alguns dos nomes envolvidos. "À exceção de Luís de Freitas Branco, claro, todos aceitaram o nosso convite e estiveram no nosso ateliê onde gravámos, e agora estamos a incluí-los na própria animação", uma das partes deste concerto imersivo com um desenho de luz que envolve o espaço e o público.

Ao longo de 45 minutos, em duas sessões diárias (às 21.30 e às 22.45), de segunda a sábado, a voz de Catarina Furtado guiará os espectatores ao longo dos 12 atos em que o espetáculo está pensado, para outros tantos momentos significativos da história da Igreja do Carmo e da cidade de Lisboa. Mas não se espere nem um palco nem plateia. A ideia é mesmo os espectadores irem circulando pelas ruínas durante o espectáculo.

"Quando a Catarina Furtado esteve connosco em estúdio para gravar a voz de narrador, houve preocupação em fazer coincidir o seu tom com os momentos de tragédia, tristeza, glória ou alegria. Porque apesar de ser uma Igreja feita de pedra, tem uma alma, uma alma portuguesa", conta o diretor criativo de Lisboa Under the Stars.

E nesta viagem de 633 anos, o espetáculo conta ainda com outras colaborações de diferentes vertentes da cultura e da arte portuguesa. É o caso da bailarina e coreógrafa Clara Adermatt "que assina a coreografia do espetáculo no qual participam elementos da sua companhia e da Companhia Nacional de Bailado". "Esta foi uma colaboração muito especial. Conseguimos através da dança representar coisas imateriais. Por exemplo, através dos seus movimentos, a bailarina principal representa os sentimentos da igreja sendo acompanhada por oito bailarinos que representam as forças que constroem ou destroem a igreja", revela Nuno Maia.

Outra surpresa: com os bailarinos a interpretarem um fado, será projetado um holograma de Amália Rodrigues, fruto de uma parceria com a Fundação da fadista.

A Lisboa contemporânea, urbana, surge no último capítulo, mostrando-se a forma como a paisagem de Lisboa está a mudar - "através da dança, com pessoas a deambular num conjunto de imagens mais pop, mais colorida em contraponto com a Lisboa histórica dos outros capítulos desta história". E aqui nova colaboração, desta vez com artistas como Vhils e Vanessa Teodoro (a.k.a The Super Van).

Bilhetes: 15 euros; gratuito até aos 5 anos; 12 euros para crianças entre os 6 e os 12 euros e para estudantes; Pack família: 12 euros cada elemento até aos 17 anos
Não se realiza aos domingos nem feriados nem no dia 22 de maio
Sessões às 21.30 e às 22.45

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