Colóquio assinala 30 anos da morte de Alexandre O'Neill

Universidade Católica homanegeia o poeta em colóquio na quinta e sexta-feira em Lisboa.

Alexandre O"Neill morreu a 21 de agosto de 1986. Passado o período das férias, o Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, propõe-se agora homenagear o poeta e assinalar os 30 anos da sua morte com um colóquio que, devido ao atraso e recorrendo ao humor que o caracterizava, se intitula "O Colóquio do O"Neill: 30 anos + 1 mês".

Nas próximas quinta e sexta-feira, especialistas da obra de Alexandre O"Neill como Pedro Mexia e José Tolentino Mendonça estão entre os participantes deste colóquio, assim como Miguel Tamen, colunista e professor da Universidade de Lisboa, e Clara Rocha, professora catedrática aposentada da Universidade Nova de Lisboa.

Nascido a 19 de dezembro de 1924, em Lisboa, Alexandre Manuel Vahía de Castro O"Neill de Bulhões, descendente de irlandeses, foi um dos fundadores do Movimento Surrealista de Lisboa, e foi dentro desta corrente artística que publicou a sua primeira obra: A Ampola Miraculosa. Mesmo depois do fim do grupo, O"Neill manteve na sua obra as influências surrealistas, que, além dos livros de poesia, incluem prosa, discos de poesia, traduções e antologias.

Autodidata, alargou a sua ação à publicidade, sendo da sua autoria a conhecida frase publicitária "Há mar e mar, há ir e voltar". Foi várias vezes preso pela polícia política do regime de Oliveira Salazar, vindo a falecer em Lisboa. No dia seguinte à morte, Baptista-Bastos escreveu: "O coração ia-lhe de alto: pulsava, pulsava, até que estoirou. Andava sempre em ato de amor: amor pelas mulheres, pelo vinho tinto, pelos amigos, pelas ruas, pela claridade. Pelas palavras. Pelo segredo que as palavras contêm, lá dentro, no bojo. E delas se servia para ironizar, para ser sarcástico, para demolir. E delas se servia, amiúde, para se esconder, para se desfazer e para se refazer."

"Que quis eu da poesia? Que quis ela de mim?", perguntava O"Neill na abertura do disco gravado em 1972, que acompanhava a edição do livro de poemas Entre a cortina e a vidraça. E respondia: "Não sei bem. Mas há uma palavra francesa com a qual posso perfeitamente exprimir o rompante mais presente em tudo o que escrevo: "dégonfler". Em português, traduzi-la-ia por "desimportantizar", ou em certos momentos, por aliviar, aliviar os outros e a mim primeiro da importância que julgamos ter."Estas palavras foram as primeiras escolhidas pela organização para enquadrar a iniciativa, que irá decorrer na Universidade Católica, em Lisboa.

Em simultâneo, irá decorrer uma exposição na Biblioteca João Paulo II que servirá de montra da vida e obra do autor, agregando um conjunto de materiais como primeiras edições, fotografias, informação biográfica e bibliográfica, painéis cedidos pela Biblioteca Municipal Alexandre O"Neill, entre outros.

Veja o programa completo no site oficial do colóquio.

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