Coleção de fotografia de Elton John vai estar na Tate Modern

Galeria de Londres inaugura a exposição "The Radical Eye" em novembro.

Man Ray, Alexander Rodchenko, Andre Kertesz, Walker Evans e Dorothea Lange são alguns dos fotógrafos que vão estar incluídos na exposição The Radical Eye, que a Tate Modern, em Londres, inaugura a 10 de novembro. A exposição com mais de 150 imagens de 60 artistas será criada a partir da vasta coleção de fotografia do músico Elton John.

Segundo o comunicado da galeria Tate Modern, Elton John é o proprietário de "uma das melhores coleções particulares de fotografia". Das cerca de 7 mil imagens, os curadores da exposição escolheram, entre outras coisas, mostrar retratos de algumas figuras centrais da cultura, como Georgia O'Keefe (fotografada por Alfred Stieglitz), Edward Weston (por Tina Modotti), Jean Cocteau (por Berenice Abbott) ou Igor Stravinsky (por Edward Weston). O núcleo maior será de Man Ray - são dele, por exemplo, os retratos de Andre Breton, Max Ernst, enri Matisse, Pablo Picasso e Dora Maar.

"Cada um dessas fotografias serve como inspiração para a minha vida", comentou o músico, citado pela Associated Press. Elton John começou a sua coleção em 1991 e tem apenas impressões originais, feitas pelos artistas.

Segundo a Tate Modern, a exposição The Radical Eye, que poderá ser visitada até 7 de maios de 2017, será apenas o princípio de uma longa relação entre a galeria londrina e Elton John.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)