Castigos, culpas e graças divinas. Bosch invade os Dias da Música

Entre 26 e 29 de abril os festival Dias da Música, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, está tematicamente organizado em volta de "As Tentações de Santo Antão", de Bosch,

Antes de mais, a expulsão do paraíso que se encontra retratada na portada. Depois, no segundo dia, o inferno e os castigos. No terceiro dia, os pecados e as tentações terrenas. E, por fim, no último dia, as graças divinas e a reconquista do paraíso. O tríptico As Tentações de St.º Antão, de Hieronymus Bosch, serve de mote aos Dias da Música em Belém, que se realizam de 26 a 29 abril, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, e que terão como título este ano Castigos, Culpas e Graças Divinas. Uma oportunidade para recuar até ao século XV mas também para "falar de nós", como sublinhou Elísio Summaviele, presidente do CCB.

Na apresentação da programação, ontem, Summaviele começou por explicar o novo formato do festival dentro do novo formato da programação do CCB: "Começámos a programar por temporadas, em vez de por anos fiscais. E, dentro das temporadas, existem vários ciclos, que são os temas-chapéu."

O próximo é o ciclo Tirai os pecados do mundo, dedicado a Hieronymus Bosch, que arranca a 7 de abril com um espetáculo de dança "para todas as infâncias" As Estrelas Lavam os Teus Pés, de Sara Anjo (concepção e interpretação) e Madalena Palmeirim (composição e interpretação musical). Entre 10 e 21 de abril há um ciclo de cinema dedicado aos sete pecados mortais. Pelo meio, conferências sobre Bosch e, a 15 de abril, o documentário El Bosco. El Jardín de Los Sueños, realizado por José Luis López-Linares, aquando da grande exposição no Museu do Prado, em Madrid, em 2016. No final do ciclo, o espetáculo Hieronymus Bosch: O Jardim das Delícias, da coreógrafa Marie Chouinard (18 e 19 de maio).

O auge do ciclo acontece com os Dias da Música que, como sublinhou o programador André Cunha Leal, a partir deste ano "deixam de ser um festival pontual" para passarem "a estar integrados tematicamente na temporada" do CCB.

Tudo começa a 21 de abril com o Festival Jovem, em que participam cinco orquestras sinfónicas e quatro escolas da região da Grande Lisboa. Com a particularidade de parte das receitas de bilheteira servirem para apoiar a Plataforma Global para Estudantes da Síria.

Finalmente o festival, propriamente dito, entre os dias 26 e 29, com uma programação dividida tematicamente em torno do tríptico As Tentações de St.º Antão. Por isso, encontramos Fausto e a Barca do Inferno de Gil Vicente na sexta-feira, dia de descida aos infernos; a Carmen de Bizet e outros pecados terrenos no sábado; e Bach e a Barca da Glória no domingo, quando reconquistamos o paraíso. No total, serão mais de 50 concertos, 42 deles em sala e nove palcos de acesso livre. André Cunha Leal explica ainda que, este ano, em vez de se apostar nos pequenos concertos, como era uma das marcas dos Dias da Música, se optou por ter mais "obras de grande dimensão", mais longos e com grandes orquestras: "Não vamos sacrificar a obra à tirania do tempo, se as obras fazem sentido, programamo-las". Isto significa que haverá menos bilhetes à venda (cerca de 20 mil bilhetes no total) e também que eles serão mais caros (14,5 euros para o Grande Auditório, 11,5 euros para o Pequeno Auditório). Elísio Summaviele não receia ter menos espectadores: "A diferença é qualitativa, na espessura e na densidade da mensagem que se transmite".

Embora sem uma parceria oficial com o Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, onde se encontram As Tentações de St.º Antão, Luísa Taveira, programadora do CCB, garante que haverá "Bosch espalhado por todo o CCB", com detalhes do tríptico reproduzidos pelo espaço. E fica ainda por anunciar um concerto, integrado nos Dias da Música, que se irá realizar no MNAA.

Consulte a programação completa dos Dias da Música no site do CCB.

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