Casey Afflek já se tornou em Toronto o favorito aos Óscares

São muitos os filmes e os atores a beneficiarem do balanço para a temporada dos prémios em Toronto. Mas Casey Affleck já tem garantida a nomeação aos prémios de Hollywood

Depois das atrizes, fazemos as contas para os filmes que estão a gerar o tal Óscar buzz para as interpretações masculinas. Num ano em que se adivinha que as maiores interpretações estejam do lado feminino, a indústria de Hollywood aqui em Toronto começa a avançar com os primeiros favoritos. Para já, há um nome que se destaca: Casey Affleck, em Manchester by The Sea, de Kenneth Lonergan. Não há ninguém que nesta altura duvide que o irmão mais novo de Ben Affleck não venha a ser um dos principais protagonistas da temporada dos prémios.

A sua interpretação como homem falhado e marcado pela tragédia que regressa à terra onde cresceu é de uma intensidade tocante. Affleck, num tom de enorme intimismo é extraordinário nas sequências de diálogos. Diálogos esses com um realismo emocional único e com a habitual marca autêntica de Lonergan. Ajuda também o facto de toda a crítica americana estar apaixonada pelo filme.

Outro dos triunfadores do hype deste festival é Ryan Gosling, que anteontem foi aplaudido de pé após a estreia canadiana de La La Land, de Damien Chazelle. A Lion's Gate, o estúdio que distribui este musical contemporâneo, já fez saber que haverá uma grande campanha em torno do ator canadiano no que diz respeito a prémios. Gosling canta, dança e toca piano com uma destreza impressionante. Se os filmes que vão chegar em dezembro não trouxerem interpretações arrebatadoras (e aí temos de contar com Liam Neeson em Silence, de Martin Scorsese, Ben Affleck em Viver na Noite e Denzel Washington, em Fences, ambos realizados pelos próprios atores).

Atenção também para outro dos atores que aqui brilhou muito, Dev Patel, o protagonista da segunda parte de O Longo Caminho para Casa, de Garth Davis, produção australiana com pinta de "agrada multidões". Resta saber se este desempenho de um órfão indiano adotado por uma família indiana não será antes puxado para a categoria dos atores secundários.

O boxe continua sempre a dar...

Grande furor também estão a fazer as interpretações de dois atores que encarnam pugilistas com histórias de vida inspiradoras. A máquina de marketing da Open Road está a tentar tudo por Miles Teller em Bleed for This, de Ben Younger, um filme de boxe de "velha escola" onde o jovem ator se transforma em Vinny Pazienza, um campeão que voltou aos ringues depois de um gravíssimo acidente de viação. Teller é excelente e Hollywood gosta de puxar por sangue jovem, mas é Aaron Eckhart, como treinador, quem rouba todas as cenas (poderá ser uma boa aposta para ator secundário). Depois há também um irreconhecível Liev Schreiber, em The Bleeder, do canadiano Philipe Falardeu, que interpreta Chuck Wepner, o "boxeur" que inspirou Stallone em Rocky. Um objeto que veio de Veneza já com bastante aclamação. Schreiber tem daquelas interpretações em "underacting" que nos anos 1970 eram mais apreciadas, mas está no jogo, mesmo se pensarmos que a produtora Milennium Films não tem tido nos últimos anos pinças para estes lobbys de prémios.

Aquele que era um dos favoritos para a época dos prémios, Nate Parker, com o seu O Nascimento de uma Nação, épico sobre uma rebelião de escravos, deixou-o de ser. A polémica em torno do caso de uma alegada violação durante os seus tempos de estudante aniversário é o tema grande aqui em Toronto. Pelos corredores diz-se que todo este caso que vai prejudicar as hipóteses do filme e da sua campanha. Parker, numa conferência de imprensa em que a Fox fez questão de só convidar certa imprensa, não quis aqui comentar nada sobre esta controvérsia.

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