Casa da Música transformada em feitoria da música inglesa

Ano Britânico começa amanhã e permitirá grande mostra da atual criação musical britânica na área erudita ao longo de todo o ano. Harrison Birtwistle e James Dillon serão compositores em destaque na programação

De amanhã a domingo, uma quase maratona de concertos e iniciativas paralelas põe em andamento o Ano Britânico na Casa da Música (CdM). Aí estarão os nomes de clássicos como Purcell, Elgar, Holst ou Vaughan Williams, ou do "clássico moderno" Britten (1913-76), mas o tempo de antena principal será para a moderna composição.

E com justiça, assumamos, pois trata-se de um autêntico fenómeno, quer de quantidade, quer de qualidade: não é difícil alinharmos dúzia e meia de nomes de real importância na atual cena internacional da música erudita, algo que nunca antes sucedera na história da música britânica! E dentre eles podemos destacar alguns nomes emblemáticos na música do pós-II Guerra, cada um deles num estilo muito característico: Britten, para começar, claro, e depois, Harrison Birtwistle (n. 1934), Brian Ferneyhough (n. 1943), John Tavener (1944-2013), Peter Maxwell Davies (1934-2016), além, claro, de Michael Nyman (n. 1944). Outro ponto a ressaltar: o Reino Unido pode orgulhar-se de ter várias compositoras de real relevância. Se não, vejamos: Rebecca Saunders (n. 1967), Judith Weir (n. 1954), Roxanna Panufnik (n. 1968), Tansy Davies (n. 1973), Anna Clyne (n. 1980) e Thea Musgrave (n. 1928).
Muitos destes nomes irão assomar à "superfície" dos concertos da CdM, tocados pelos ensembles residentes: Sinfónica do Porto (OSP-CdM), Remix Ensemble (RE) e Coro Casa da Música (CCdM). Os três estarão em ação de amanhã a domingo, no ato God Save the Queen! que, em jeito de quase festival, inaugura o Ano Britânico na CdM.

A não perder, os concertos de amanhã (21.00, com Earth Dances, de Birtwistle) e de sábado, às 18.00.
Ano fora, deixamos estes destaques"ingleses": 4 e 8 de abril, duas grandes obras sacras-pascais de James Dillon: Stabat Mater Dolorosa e Via Sacra; 29 e 30 de abril, um duplo portrait de Birtwistle e Maxwell Davies, com duas obras de cada um: Panic e ...agm..., do primeiro, e Antechrist e Worldes Bliss, do recentemente falecido Davies; 23 de setembro, oportunidade para ouvir Thomas Adès, com uma obra derivada da sua famosa e polémica ópera Powder Her Face; 10 e 14 de outubro, fantástico duplo programa, incluindo a Alhambra Fantasy, de Julian Anderson; 7 de novembro, oportunidade solitária para escutar Brian Ferneyhough, com a obra Carceri d"Invenzioni I.

Demais informações em casadamusica.com.

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