"Cannes é um circo místico"

Entrevista em Cannes ao ator português Nuno Lopes que participa no filme O Grande Circo Místico de Cacá Diegues,

É um dos atores portugueses do elenco do filme de Cacá Diegues. Agora que o viu em Cannes o que acha?

Achei O Grande Circo Místico quase surrealista. É muito curioso encontrar alguém com a idade do Cacá Diegues a narrar uma história de forma não convencional e sem um protagonista para as pessoas se identificarem . Por outro lado, há uma narrativa muito original e corajosa. Isso já me surpreendera ao ler o guião e agora ainda mais!

As suas cenas são pequenas mas percebe-se que aquele artista de circo de forças combinadas não é um duplo...

Sim, estive três dias a trabalhar aqueles exercícios com uma troupe de ginastas. Fisicamente, estava muito bem: foi na altura em que estava a trabalhar para o São Jorge.

O filme tem esse lado real do circo mas parece estar sempre em viagem para a fantasia...

Todo o filme tem essa mistura. Uma mistura de sonho. Quase que ficamos sem saber se estamos a assistir a um sonho de uma criança.

Este é basicamente um filme brasileiro filmado em Portugal, contudo os atores portugueses foram dobrados. Nas coproduções luso-brasileiras a língua acaba por ser um obstáculo?

Tem de ser dobrado... Claro que a barreira da língua atrapalha-nos. Percebemos muito bem o português brasileiro mas do outro lado é mais complicado. Há mais coisas políticas a fazer do que o Acordo Ortográfico, que não funcionou de todo! Mas estou sempre a fazer destas coproduções. Quando se juntam países em prole de qualquer coisa artística vale sempre a pena! Sinto que Portugal e o Brasil se tocam bem no cinema.

Está a sentir que o circo de Cannes é um pouco místico?

Pouco?! É todo ele místico! Isto é tudo falso. Ainda ontem uma colega brasileira que subia as escadas comigo estava muito nervosa e eu disse-lhe para não estar: os fotógrafos e as câmaras só iam gritar pelo Vincent Cassel.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.