Caetano Veloso e "A máquina de fazer espanhóis", de Valter Hugo Mãe

O romance de Valter Hugo Mãe vai ser reeditado para celebrar os 20 anos de carreira do escritor e conta com prefácio do músico

A reedição do romance "a máquina de fazer espanhóis", de Valter Hugo Mãe, em setembro, abre as celebrações dos 20 anos de carreira literária do escritor, que publicará este ano um novo romance, disse à Lusa fonte editorial.

Esta reedição conta com um prefácio do músico Caetano Veloso, no qual afirma: "Impacta-me que, exatamente quando da minha entrada na velhice, me chegue às mãos o trabalho de um jovem em que a contemplação do inexorável avanço da idade é a motivação de um exercício exuberante de escrita, onde a força da memória vocabular e emocional (força que define um verdadeiro escritor) surge luminosamente".

"A máquina de fazer espanhóis" valeu a Valter Hugo Mãe o Grande Prémio PT de Literatura - atual Grande Prémio Oceanos de Literatura -, e estava ausente das livrarias desde 2014, sendo esta a sua 19.ª edição, que sairá com a chancela da Porto Editora.

"A capa da nova edição, tal como as restantes novas edições da 'tetralogia das minúsculas', composta por 'o nosso reino', 'o remorso de baltazar serapião', 'o apocalipse dos trabalhadores' e 'a máquina de fazer espanhóis', é da autoria da equipa de 'design' da Porto Editora, mas integra ilustrações da artista plástica islandesa Ingibjörg Birgisdóttir", adiantou à Lusa a mesma fonte.

Sobre "a máquina de fazer espanhóis" escreve Caetano Veloso que "a fortuna crítica e o sucesso abrangente deste romance, no Brasil, exibem feições comoventes". "Momento profundo das relações afetivas entre Brasil e Portugal, 'a máquina de fazer espanhóis', um livro tão exclusivamente português, com seu linguajar coloquial lusitano e suas referências às intimidades da vivência da história política de Portugal, faz o leitor brasileiro mergulhar na dimensão portuguesa de sua vida, reencontrar origens de tantas das suas fraquezas em face de um grande sonho -- e de tantos enternecimentos em face de sinceras modéstias".

"Faz o leitor brasileiro enriquecer suas perguntas quanto à capacidade de grandeza, à realidade de suas responsabilidades", acrescenta o autor de "O leãozinho".

Para o escritor português, de 44 anos, "Caetano Veloso é o artista na oportunidade absoluta", "esse que faz da arte uma forma de cidadania, como se até a desgraça virasse sublime".

"Poucas pessoas no mundo chegam a esta graça, a de identificarem um povo e serem muito mais do que isso, serem deslumbre e padrão para um modo melhor de futuro", afirma o autor, que revela: "Quando recebi o texto de Caetano Veloso para prefaciar o meu livro sentei-me e pensei que a monumentalidade do mundo, como uma dimensão de deus, me falou. Felicidade muito pura", escreve Valter Hugo Nãe.

A Porto Editora completa a reedição da chamada 'tetralogia das minúsculas' de Valter Hugo Mãe - todas com prefácios de autores internacionais -, com "o nosso reino", prefaciado por Ferreira Gullar, "o remorso de baltazar serapião", que recupera o prefácio do Nobel português de Literatura José Saramago, e "o apocalipse dos trabalhadores", pelo poeta sírio Adonis, além de "a máquina de fazer espanhóis", com Caetano Veloso.

A reedição dos restantes títulos conta também com prefácios e autores internacionais, designadamente, Alberto Manguel, que prefacia "O filho de mil homens", Mia Couto, "Contos de cães e maus lobos" e, por autores ainda "a anunciar", "A desumanização".

No dia 14 de setembro, numa conferência de imprensa no Porto, Valter Hugo Mãe dará a conhecer o seu novo romance, assim como outras iniciativas relacionadas com os seus 20 anos de vida literária, adiantou à Lusa a mesma fonte.