Barro preto de Bisalhães é património da Unesco

O processo de fabrico do barro preto de Bisalhães, em Vila Real, foi hoje inscrito na lista do Património Cultural Imaterial que necessita de salvaguarda urgente da Unesco, anunciou fonte do município.

A decisão foi tomada hoje, durante a 11.ª reunião do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, que está a decorrer em Adis Abeba, capital da Etiópia.

A Câmara de Vila Real avançou com a candidatura do processo de fabrico do barro negro de Bisalhães à lista do património cultural imaterial que necessita de salvaguarda urgente, precisamente por esta ser uma atividade em vias de extinção.

O município disse que se tratou de um "processo complexo que demorou mais de um ano a ser completado".

A fonte referiu que "este reconhecimento internacional possibilitará partilhar o conhecimento ancestral dos oleiros de Bisalhães com o mundo".

A inscrição na lista da Unesco vai ainda "motivar a implementação de um amplo plano de salvaguarda que o município de Vila Real idealizou, que vai desde a formação de oleiros, passando pela certificação do processo e até ao incentivo do surgimento de novas utilizações e designs para este material único".

O principal problema desta atividade é o envelhecimento dos oleiros. Atualmente, são cinco os que fazem desta arte a sua atividade principal e a maioria tem mais de 75 anos.

Este é considerado um ofício duro, exigente, com recurso a processos que remontam, pelo menos, ao século XVI.

O processo de fabrico inclui desde o tratamento inicial que se dá ao barro até à cozedura.

As peças que nascem pelas mãos destes artesãos são depois cozidas em velhinhos fornos abertos na terra, onde são queimadas giestas, caruma, carquejas e abafadas depois com terra escura, a mesma que lhe vai dar a cor negra.

"O processo é bastante antigo, com características muito peculiares e próprias desta aldeia de Bisalhães e que tem vindo a ser mantido com muito sacrifício por parte dos oleiros atuais", salientou o coordenador técnico da candidatura, João Ribeiro da Silva.

O responsável referiu que esta candidatura pretendeu dar "visibilidade à olaria e preservar a forma de fazer".

Em março de 2015, o processo de confeção do barro negro de Bisalhães foi reconhecido como Património Cultural Nacional.

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