Baile ao ar livre abre ciclo de concertos em Sintra

Segunda edição do Reencontros, no Palácio da Vila, dedicado à Idade Média e Renascimento, começa dia 3, sempre às sextas e sábados

Um baile de danças do Renascimento no terreiro Rainha D. Amélia (fronteiro ao Palácio da Vila): é assim que abre a segunda edição do ciclo Reencontros - Memórias Musicais de um Palácio, dedicado à música medieval e renascentista (sexta-feira, às 21.30). Uma organização da Parques de Sintra-Monte da Lua, em colaboração com o Centro de Estudos Musicais Setecentistas em Portugal.

Anfitriões do baile são os franceses da Compagnie Outre Mesure, liderados por Robin Joly. Na noite seguinte, aí já dentro de portas, eles intentam um retrato das danças que se praticavam na requintada corte ducal da Borgonha, o mais importante centro musical da época, ao longo do século XV, e do qual não estará ausente a famosa La Portingaloise, cuja origem se crê relacionada com a Infanta Isabel, filha de D. João I, que casou em 1430 com o duque da Borgonha.

Para Diana Vinagre, diretora artística dos Reencontros, o baile "será uma festa" e vê-a como "a forma ideal de integrar e envolver as pessoas no ciclo", de acordo com o propósito de "aproximar o público do Palácio enquanto palco privilegiado para este tipo de música". O programa, continua, "explora a relação da música com outras artes, sobretudo a dança e o teatro".

Isso é evidente nos Outre Mesure, claro, mas também no concerto de dia 11, a cargo dos consagrados Oltremontano, um grupo de metais que, com dois cantores solistas, irá pintar os retratos de várias personagens da commedia dell"arte, para tal se baseando em obras de expoentes do Maneirismo musical italiano, como Monteverdi, Striggio, Vecchi ou a estranha personagem que foi Giorgio Mainerio. No sábado seguinte, 18, é a vez dos excelentes Mala Punica, de Pedro Memelsdorff: eles trazem uma missa polifónica compósita, datada da transição do século XIV para o XV, em que todas as secções se baseiam em canções profanas.

O último fim de semana (24 e 25) lança âncora na Península Ibérica e estreita laços com o teatro. Primeiro pela espanhola Sara Águeda Martín, que, numa harpa de duas ordens (duas filas de cordas) recria no seu recital-performance o papel relevante e multifacetado que os harpistas tinham nos espetáculos teatrais do Siglo de Oro, visitando obras de autores como Mudarra, Cabezón ou Martín y Coll. "Nós já tocámos juntas [Diana Vinagre toca violoncelo barroco] e ela editou agora um CD dedicado a esta temática. A Sara tocou muitos anos em produções de teatro desta época, na Companhia Nacional de Teatro Clássico espanhola e, na sua performance, alia à parte musical a declamação de excertos de peças quinhentistas". No dia seguinte, os Seconda Pratica, jovem grupo de diplomados em música antiga dos conservatórios da Haia e de Amesterdão, fazem algo semelhante, mas centrado em Portugal: eles propõem-se reinventar o que seria a música e a expressão teatral associada à mesma nas farsas de Gil Vicente, a partir de peças contidas em vários cancioneiros ibéricos e europeus, ao passo que, na dimensão histriónica, partem da mais bem documentada tradição da commedia dell"arte.

Há ainda outros quatro concertos comentados, com repertórios destes mesmos períodos, e que resultam de uma colaboração com o Conservatório Nacional e o Conservatório de Évora, sendo que todos eles serão assegurados por ensembles de alunos. Acontecem sempre às 15.00 de sábado.

Antecedendo, por outro lado, os concertos noturnos, há quatro conferências de contextualização: três de assunto musical, a cargo do musicólogo Manuel Pedro Ferreira; e uma de temática teatral (Gil Vicente), proferida por José Camões.

Os bilhetes custam 10 euros (concertos de sábado à noite), ou o bilhete de visita do Palácio (sábado à tarde), e adquirem-se nos locais costumeiros, nas bilheteiras ou online.

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