Aviso: esta banda não se autodestruiu em oito anos

Os Metallica estão de volta. A maior banda de heavy metal do mundo apanhou os fãs de surpresa com o anúncio do sucessor do álbum Death Magnetic. Hardwired... to self-destruct vai ter dois discos, quase 80 minutos e chega já em Novembro. Nova música mostra um grupo nada afetado por algumas apostas fracassadas dos últimos anos

É natal em Agosto para os fãs dos Metallica. A banda de San Francisco, EUA, apanhou o mundo do heavy metal de surpresa ao anunciar ontem de madrugada (hora de Lisboa) o lançamento de um novo álbum de originais já em novembro.

"Ele realmente existe! São dois discos, quase 80 minutos de música que estão a caminho a 18 de novembro... sim, este ano!". Foi desta forma que os gigantes do hard "n" heavy anunciaram através do seu clube de fãs o muito esperado sucessor de Death Magnetic, lançado em 2008. O novo duplo álbum - o segundo da carreira da banda, depois do homónimo Metallica, o multiplatinado black álbum, simbolicamente lançado há 25 anos - intitula-se Hardwired... to self-destruct, nome retirado de uma das frases do primeiro single, Hardwired, lançado também ontem e que a meio do dia já tinha perto de dois milhões de visualizações no You Tube.

"Estamos obviamente para lá de excitados em partilhar novos temas com todos os nossos fãs", palavras do baterista e cofundador da banda, Lars Ulrich, que deixa antever o que se pode esperar mais para o final do ano. "Temos andado dentro e fora do estúdio com o [produtor] Greg Fidelman nos últimos 18 meses a aquecer a máquina criativa outra vez. Editar música nova e surpreender os fãs é o que mais adoramos fazer na vida, portanto apertem o cinto para o que aí vem".

E para já o que se ouve são riffs na linha de Death Magnetic, mas com uma composição mais direta e um som menos a "rebentar pelas costuras" do que no disco anterior, uma das principais críticas apontadas ao trabalho de produção do guru Rick Rubin. Entrevistado há alguns meses sobre a direção musical do novo trabalho, Lars Ulrich confirmou que as novas músicas eram "menos frenéticas" e explicou o que mudou no processo de composição do novo álbum. "Já não trabalhamos com o Rick, trabalhámos com o engenheiro de som do último disco, que produziu este, o Greg Fidelman. Então temos os mesmos elementos, mas explorámos mais aspetos sónicos. É provavelmente um álbum mais diverso do que o anterior". E diversidade é o que se espera de um disco que tem 12 músicas espalhadas por cerca de 80 minutos.

As notícias sobre as gravações de um novo trabalho dos Metallica foram saindo a conta gotas nos últimos anos. Conhecidos por fazerem largos intervalos entre álbuns, os muitos afazeres extra estúdio fizeram desta a pausa mais longa na carreira do grupo criado pelo vocalista James Hetfield e Ulrich em 1981. Foram oito longos anos recheados de apostas arriscadas e nem sempre bem sucedidas (alguma coisa a ver com o self-destruct do novo título?).

Sempre determinados em não estagnar num mesmo registo e no mesmo som - que o digam aqueles que ainda hoje se enchem de bílis quando se fala de discos como Load, Reload e St. Anger - que os elevou nas décadas de 1980 e 90 à categoria de banda universal, os Metallica decidiram nos últimos anos expandir fronteiras e tocar nos terrenos do cinema. Alavancados numa milionária conta bancária, decidiram produzir e coprotagonizar Through the Never, um filme realizado em 2013 por Nimród Antal que cruzava um concerto da banda com um argumento que fazia das ruas de Vancouver, no Canadá, a capital do apocalipse.

O projeto foi um enorme flop comercial - e, acrescentam alguns críticos, conceptual: entre o investimento e as receitas, resultou um prejuízo de cerca de 10 milhões de dólares (cerca de 9 milhões de euros). Na mesma altura, entre 2012 e 2013, os Metallica embarcaram numa outra aventura arriscada, criar o seu próprio festival. Depois de duas edições nos Estados Unidos - uma em Atlantic City e outra em Detroit -, o Orion Music + More foi cancelado devido a problemas financeiros.

A este experimentalismo - a que poderíamos somar a criação da sua própria produtora, a Blackened, pequenas digressões, reedições de álbuns clássicos, produções de moda... - junte-se a vontade de dedicar mais tempo à vida familiar para se ter um resultado final de oito anos para podermos ouvir músicas novas. Mas pela amostra, a espera pode ser recompensada.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.