Atores de coração cheio

Cuidar dos Vivos, Katell Quillévéré

É óbvio que se trata de um objeto pronto a ser atacado pelos seus cuidados visuais. Quem o vir sem coração aberto ( e a realizadora brinca com a metáfora) vai falar em estética de publicidade ou de teledisco com slow-motions, mas mesmo na sua lenga-lenga sentimental, o filme é de bom tom. A realizadora adapta o romance homónimo de Maylis de Kerangal com dispositivos de literatura. Só isso é meia batalha ganha.


Narrativa coral sobre as consequências da morte um jovem de 17 anos num acidente de viação após uma "surfada", Cuidar os Vivos, sucesso no último Festival de Toronto, não é um filme sobre transplantes de coração nem sobre transferências de vida. É antes uma divagação sobre a serena luz que nos faz estar vivos. E tem atores magníficos, de Anne Dorval a Emmanuelle Seigner, passando por Kool Shen.
Merecia não ser engolido pelos blocksters da temporada...

Classificação: ***

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João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.