As novas noites de Santo António

Alfama recebe a partir de amanhã nova edição do Festival Caixa Alfama. Uma animação especial com 40 fadistas de diferentes gerações

Depois do sucesso das duas primeiras edições, o fado está, mais uma vez, de regresso a casa, com a realização de mais um Caixa Alfama, o primeiro grande festival dedicado à canção nacional. Ao todo serão 40 os artistas de diferentes gerações, num elenco composto por alguns dos maiores artistas de fado da atualidade, como Ana Moura, Cuca Roseta e Marco Rodrigues, mas também veteranos como Maria da Fé, Rodrigo e Artur Batalha, lado a lado com muitos jovens valores, que durante duas noites, na sexta e no sábado, vão atuar nalguns dos locais mais emblemáticos do mais antigo bairro lisboeta como o Museu do Fado, o Largo das Alcaçarias, as igrejas de São Miguel e de Santo Estêvão, a Sociedade Boa União, o Centro Cultural Dr. Magalhães Lima, o Grupo Sportivo Adicense e o Lavadouro de Alfama - aos quais se junta ainda o Palco Caixa, o principal, junto ao rio Tejo, por onde vão passar os nomes maiores.

"Pela tradição e pelo ambiente do próprio bairro, só podia ser realizado em Alfama, que é o berço do fado", considera José Gonçalez, o programador do festival, também ele fadista. "Os palcos estão situados em locais emblemáticos, de modo a que as pessoas possam vaguear entre os concertos. Será dado um mapa ao público, com os horários das atuações, para que possam ver um bocadinho de cada concerto, consoante as preferências de cada um", explica. O objetivo inicial era chegar a todos - dos mais profundos conhecedores de fado aos que só agora o estão a descobrir -, dando o protagonismo maior ao público e ao bairro e isso, segundo José Gonçalez, "tem sido cumprido desde a primeira hora".

Foi em 2013 que Alfama recebeu a edição inaugural deste festival, o primeiro dedicado em exclusivo ao fado e neste ano considerado pelo portal noticioso norte-americano Huffington Post como "um dos dez festivais europeus a não perder neste final de verão". Uma aposta ganha, na opinião de José Gonçalez: "Este festival é, de facto, um sucesso, que superou em muito todas as nossas expectativas iniciais." Basta lembrar que todas as edições, mesmo a que neste ano foi realizada no Porto, na Ribeira, tiveram lotação esgotada. "Tínhamos a esperança de que assim fosse, porque, apesar de haver muitos festivais dedicados ao fado no estrangeiro, faltava celebrar esta música no seu próprio país. Era uma lacuna que convinha colmatar e o público veio a dar-nos razão", sublinha o programador, que salienta ainda o modo como a população de Alfama recebeu o evento. "Houve algumas renitências iniciais, como é habitual, mas todos apoiam, até porque nestes dois dias o bairro parece que vive um outro Santo António, tal é a animação e a afluência de gente. Hoje já é algo que é deles e recebem de braços abertos."

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