As escolhas de João Lopes para o Indie Lisboa

O crítico do DN escolhe quatro filmes imperdíveis no festival Indie Lisboa, que começa na próxima quinta-feira.

HAVE YOU SEEN MY MOVIE?, de Paul Anton Smith

Cinemateca: dia 27, às 18.30


Que significa ir ao cinema, estar numa sala escura, participar na experiência coletiva de projeção de um filme? Paul Anton Smith concebeu o seu filme a partir de cenas de outros filmes centradas em personagens que frequentam salas de cinema. Objetivo: descrever e compreender a nossa relação "antiga" com os filmes, sem computadores nem telemóveis.

LES QUATRE SOEURS, de Claude Lanzmann

São Jorge: dia 28, às 15.00


De Shoah (1985) a O Último dos Injustos (2013), Lanzmann tem sido um investigador metódico das memórias do Holocausto, colocando a ênfase no testemunho dos seus entrevistados. Assim volta a acontecer neste trabalho sobre quatro mulheres de origem judaica, concebido como uma série televisiva de quatro episódios.

PRIVATE SCREENINGS, de Mark Rappaport

Cinemateca: 3 de maio, 15.30

Mark Rappaport continua a questionar os factos, as memórias e os fantasmas das nossas relações com os filmes, tendo trabalhado, por exemplo, sobre arquivos de Rock Hudson, Jean Seberg ou Anita Ekberg. Agora, dá-nos a ver as salas privadas de projeção, propondo-se mostrar e desmontar as singularidades dos respetivos espectadores.

HITLER"S HOLLYWOOD, de Rüdiger Suchsland

Cinemateca: 5 de maio, 15.30

Realizador de From Caligari to Hitler (2014), Rüdiger Suchsland volta a abordar a produção cinematográfica alemã, de alguma maneira prolongando o filme anterior. Trata-se de evocar títulos produzidos no Terceiro Reich, mostrando a coexistência de objetos puramente propagandísticos com "banais" formas de entretenimento.

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O euro, o Erasmus, a paz. De cada vez que alguém quer defender a importância da Europa, aparece esta trilogia. Poder atravessar a fronteira sem trocar de moeda, ter a oportunidade de passar seis meses a estudar no estrangeiro (há muito que já não é só na União Europeia) e - para os que ainda se lembram de que houve guerras - a memória de que vivemos o mais longo período sem conflitos no continente europeu. Normalmente dizem isto e esperam que seja suficiente para que a plateia reconheça a maravilha da construção europeia e, caso não esteja já convertida, se renda ao projeto europeu. Se estes argumentos não chegam, conforme o país, invocam os fundos europeus e as autoestradas, a expansão do mercado interno ou a democracia. E pronto, já está.