Arcade Fire ao pôr do Sol ou a consagração do futuro

O festival minhoto tem levado ao palco ao longo das suas edições nomes que depois andarão
nas bocas do mundo

Paredes de Coura tem sido pródiga em antecipar o futuro glorioso das bandas promissoras. Em 2005, quando os Arcade Fire não tinham sequer roadies e atuaram quando o dia ainda escurecia, a banda teve uma receção apoteótica no festival minhoto que jamais esquecerá. As Warpaint e os Metronomy foram surpreendentemente aclamados em 2011 quando a sua música ainda estava a ser descoberta. Casos similares fazem a história do festival e este ano não será exceção.

Mas o grande chamariz mediático da presente edição faz já parte da lista dos consagrados. Claro que falamos dos LCD Soundsystem, os cabeças-de-cartaz de amanhã, que regressam a Portugal sem temas novos para mostrar. O fim do grupo em 2011 afinal era uma paragem de pouco mais de quatro anos. O que o líder incontestado James Murphy vem fazer ao Minho é medir o estatuto de clássicos de alguns dos temas dos três álbuns dos LCD, vindos de uma existência (entre 2002 e 2011) em que o coletivo aproveitou bem o desmemoriamento coletivo em relação a precursores do dance-punk como os Gang of Four para serem apelidados de inovadores. A banda é numerosa em palco mas todos os olhos se vão focar no vocalista James Murphy.

Neste mesmo dia atua a dupla pós-punk Sleaford Mods no seu formato elementar, com o vocalista Jason Williamson a despejar a sua ira contra as injustiças sociais no Reino Unido, acompanhado pelo seu estático programador, Andrew Fearn, que se limita a dançar e a dar a ordem de play no portátil para o próximo tema enquanto bebe a sua jola. Poderia ser uma comédia minimal mas o irrepreensível Jason Williamson não deixa que isso aconteça. Também amanhã, o garage-rock demolidor dos norte-americanos dos Thee Oh Sees vai fazer levantar muita relva no recinto, o mesmo não se pode dizer do mais dócil indie-pop dos Whitney, banda de Julien Ehrlich, que passou pelos Unknown Mortal Orchestra que encabeçam o dia de hoje.

O dia 19 de agosto, a ser encerrado pelos Cage the Elephant, pode guardar duas surpresas: o pop-rock a atirar para o registo de cantautor folk de Kevin Morby e o psicadelismo endiabrado dos King Gizzard & the Lizard Wizard. O electropop do trio escocês Chvrches fecha a edição deste ano no dia 20.