Aproveitar a feira para descobrir os clássicos

A Feira do Livro de Lisboa decorre até dia 13

Na Relógio d"Água há títulos que não perdem a alma com o passar do tempo

É quase uma ilusão quando se pensa que a Feira do Livro de Lisboa é o lugar próprio para encontrar livros antigos e desaparecidos das livrarias. Porque em grande parte essa tradição já deu o que tinha a dar em feiras do milénio passado e agora poucos são os stands que ainda têm fartura de fundos de catálogos. Quanto mais não seja porque muitas edições são pequenas, e os saldos feitos no recinto ano após ano nos restos de coleção vão fazendo rarear os títulos especiais que os leitores iam procurar à Feira do Livro.

Nem os alfarrabistas escapam a esta situação, sendo ali também cada vez menor a possibilidade de se darem com tesouros ao alcance da bolsa do visitante normal. Talvez o colecionador abastado consiga satisfazer a sua pretensão, quanto mais não seja encomendando numa visita e indo buscar o volume na seguinte.

No entanto, há stands onde ainda se aposta nesse velho hábito de satisfazer os clientes de uma certa literatura mais séria, que é a dos clássicos e a dos bons romances, que entretanto foram descatalogados, como é o caso do stand da Relógio d"Água. Onde várias bancas seduzem os visitantes da feira pela qualidade, quantidade e preços muito especiais. Designadamente no setor que a editora reserva a volumes que já não estão abrangidos pela Lei do Preço Fixo do livro e que não conseguem ter espaço nas livrarias, por já terem sido editados há vários anos. Razões para que se vistorie com atenção essa parte dos stands desta editora, mesmo ao lado de outros exemplares mais atuais, porque são livros que não perderam atualidade e podem ser adquiridos a três e a cinco euros. Como é o caso de Peregrinação de Fernão Mendes Pinto.

O editor Francisco Vale destaca entre os muitos livros em exposição a coleção de 35 clássicos que está a ser editada nos últimos meses e que têm preços entre os cinco e os dez euros. Quanto ao setor dos livros descatalogados, confirma que têm um preço muito bom: "Na primeira semana da feira é quando vendemos mais nesse pavilhão, pois os descatalogados são livros muito bons e que as pessoas procuram sempre." Explica que neste caso o preço de venda é ligeiramente pouco acima do custo de produção, o que é preferível a estarem no armazém ao pó." Há quem venha direcionado para um ou outro título, diz, mas "em geral como encontram surpresas, aproveitam".

Orwell, Voltaire e Montaigne

Entre os clássicos que a Relógio d"Água lançou no período que coincide com o da Feira do Livro estão três volumes que valem a pena, até porque contam com edições muito bem cuidadas e são vendidos abaixo dos dez euros. É o caso de Cândido ou o Otimismo, de Voltaire, que vem acompanhado por um posfácio de Roland Barthes. Este conto filosófico data de 1759, mas não deixa de ter atualidade. Diga-se que em vida do autor ele foi reeditado duas dezenas de vezes. Ou a Antologia de Ensaios, de Montaigne, com prefácio de Rui Bertrand Romão, do autor que inventou este novo género literário.

Também os leitores de George Orwell voltam a ter possibilidade de ler Ensaios Escolhidos, uma seleção abrangente de 37 dos seus textos ideológicos, narrativos e de reportagem. Todos a bom preço e com mais descontos nesta Feira do Livro de Lisboa.

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