Apogeu e queda de uma família de banqueiros

Da Natureza dos Deuses é um épico sobre a história de várias gerações de uma família ligada à banca

Da Natureza dos Deuses é o título do novo romance do escritor António Lobo Antunes, a ser lançado na próxima semana. Quanto ao conteúdo do que vai entre a capa e a contracapa, ainda está no mistério dos deuses como costuma ser a natureza do mercado editorial. Resumo, aliás, que o próprio autor se recusa a fazer por considerar tarefa impossível e incorreta no que respeita à sua literatura.

Por isso, a pré-publicação que hoje o DN entrega ao leitor desvenda um pouco do caminho que faz este romance de Lobo Antunes, que começa assim: "Mandaram-me pela primeira vez a casa da Senhora mais ou menos na altura em que encontrei o sem abrigo a dormir no degrau da livraria (...)" Segue-se a tradicional polifonia das vozes ao longo do romance, recuperando as questões que o escritor exige colocar, nem que seja pela metáfora da dor provocada por uma pedra de rim, por ter-se nascido em África, os efeitos dos botões de metal prateado, um engenheiro viúvo, os badalos das cabras ou a boneca da menina. Sempre nesse registo mais recente, interventivo e apurado dos seus romances publicados após O Meu Nome É Legião, em 2007.

Uma coisa pode revelar-se sobre esta obra ao leitor cansado da crise: não sendo um retrato propositado sobre os tempos desesperados que o autor tem criticado nos últimos anos de forma pública, Da Natureza dos Deuses não deixa de a tocar de forma polémica. Principalmente na reflexão literária involuntária sobre alguns dos protagonistas mais famosos da crise, mesmo que seja pura coincidência o tempo da escrita e a cronologia dos acontecimentos.

Há muito que era projeto do escritor fazer um épico sobre a ascensão, o apogeu e o fim de uma família de banqueiros. É disso que trata fundamentalmente o livro. Se tem paralelo com a realidade financeira mais recente do país, é preciso não esquecer que este romance foi entregue há dois anos à editora. Pergunta o leitor: o que sabe do tema o escritor? A resposta está, sem dúvida, no romance.

Leia a pré-publicação na edição impressa ou no e-paper do DN

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