"Antwerpen" de Surma nomeado para disco independente europeu do ano

O disco "Antwerpen", de Surma, é o único álbum português na lista de 22 nomeados para o prémio disco do ano europeu, anunciou hoje a IMPALA - Associação de Empresas de Música Independente.

Surma, de Leiria, surge numa lista que integra, por exemplo, os britânicos King Krule e os The xx, que já venceram o galardão, a austríaca Fever Ray, os belgas Millionaire, Loney Dear, da Suécia, o espanhol Xoel López e o duo franco-cubano Ibeyi, entre um conjunto de outros projetos de 19 países.

O projeto Surma, de Débora Umbelino, é "um dos brilhantes recém-chegados" à música europeia, descreve a IMPALA, no comunicado hoje divulgado a partir de Bruxelas.

Lançado em Portugal em outubro de 2017, pela Omnichord Records, o disco "Antwerpen" tem edição agendada para 16 de março, na Alemanha, Áustria e Suíça.

O primeiro single do disco de estreia do projeto, "Hemma", está nomeado para o Prémio Autores SPA, na categoria "Melhor tema de música popular".

No início de 2018, Surma atuou no festival Eurosonic, na Holanda, e prepara-se para viajar para os Estados Unidos da América, para atuar no festival South By Southwest, em Austin, no Texas, no dia 17 de março.

Até ao final de maio, Surma tem mais de 30 datas agendadas para concertos na Polónia, Alemanha, Suíça, Itália e Portugal.

Em 2017, um outro projeto de Portugal, os First Breath After Coma, igualmente de Leiria, foram nomeados para o prémio da IMPALA, que em edições anteriores foi entregue a discos de José Gonzalez, Adele, The xx e Agnes Obel.

Antes, em 2016, a editora de Surma e dos First Breath After Coma, a Omnichord Records, recebeu da IMPALA o prémio "Young label spotlight", que reconhece as jovens editoras europeias, independentes, mais inspiradoras da Europa.

O vencedor do prémio melhor álbum europeu do ano é anunciado pela IMPALA em março e sucederá à dinamarquesa Agnes Obel, vencedora no ano passado.

Os dinamarqueses D/Troit, os alemães Gurr, a britânica Laura Marling, o francês Orelsan, o italiano Coez, o norueguês Cezinando, o holandês André Hazes Jr., a neozelandesa Aldous Harding, Kaukolampi, da Finlândia, Hangszersimogato, da Hungria, Chui i Jazz orkestar HRT, da Croácia, Marko Louis, da Sérvia, Sirom, da Eslovénia, Super Besse, da Bielorrússia, são outros projetos nomeados.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.