António-Pedro Vasconcelos: "Fiz o filme 'Os Imortais' a pensar nele, porque era um ator único"

Nicolau Breyner participou em vários filmes de António-Pedro Vasconcelos

O realizador António-Pedro Vasconcelos disse hoje à agência Lusa que fez o filme "Os Imortais" (2003) a pensar em Nicolau Breyner, hoje falecido, aos 75 anos, "porque era um ator único".

Participou em vários filmes de António-Pedro Vasconcelos, como "Jaime" (1999), "Call Girl" (2007), "A Bela e o Paparazzo" (2009), e "Os gatos não têm vertigens" (2014).

"Fiz o filme 'Os Imortais' a pensar nele, porque era um ator único, que sabia muito bem interpretar todas as emoções - a tristeza, a alegria, a ironia - e doseá-las para cada cena", disse à Lusa António-Pedro Vasconcelos, lamentando a morte do artista.

De acordo com o realizador, como pessoa, "era muito bem-disposto nas filmagens, e aparentemente leviano - porque muitas vezes, nas pausas das cenas, falava ao telemóvel para contar anedotas - mas sabia concentrar-se totalmente quando era necessário".

"Ele sabia muito de cinema e tinha a noção total de como estava a ser filmado e do era preciso fazer. Era muito fácil fazer filmes com ele", sublinhou o cineasta, recordando ainda a "generosidade para com os atores mais novos, que tentava sempre apoiar".

Nascido em Serpa, no distrito de Beja, a 30 de julho de 1940, com uma carreira de mais de 60 anos, o ator deixou uma marca intensa na televisão portuguesa, sobretudo através de telenovelas muito populares como "Vila Faia" e "Cinzas", entre outras.

Ficou também conhecido do grande público em programas na televisão, como Nicolau no País das Maravilhas, em 1975, no qual criou o "sketch" "Senhor feliz e senhor contente", com Herman José, e "Eu Show Nico".

No cinema, trabalhou também com João Botelho ("Corrupção") e Leonel Vieira ("A arte de Roubar"), entre outros, e como realizador, em "Contrato" e "Sete pecados rurais".

Nicolau Breyner estava atualmente a participar nas gravações da telenovela da TVI "A Impostora".

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