Anne Frank escondeu páginas com "anedotas picantes" no seu diário

Investigadores encontraram textos que a jovem de 13 anos tentou esconder em que fazia algumas reflexões de caráter sexual

Anne Frank tentou esconder duas páginas do seu diário em que tinha escrito quatro anedotas "picantes" e algumas reflexões de caráter sexual. A jovem de 13 anos colou um papel castanho sobre essas páginas para que ninguém lesse o que havia escrito, mas o segredo acabou por ser descoberto pelo investigadores que usaram novas tecnologias digitais para analisar o diário da rapariga judia que viveu escondida com a família num anexo em Amesterdão durante a ocupação nazi e ​​​​​​​acabou por morrem no campo de concentração Auschwitz, pouco antes do final da Segunda Guerra Mundial.

"Às vezes imagino que alguém vem ter comigo e pede que lhe explique assuntos sexuais", escreveu Anne Frank em holandês. "Como é que o faria?" Talvez usasse a expressão "movimentos rítmicos" para descrever o sexo e "medicação interna" para a contraceção. Nesta reflexão, também se refere à menstruação e à prostituição.

Peter de Bruijn, investigador do Institute Huygens para a História da Holanda, explicou que estas páginas escritas em setembro de 1942 e agora descobertas não são importantes pelo seu conteúdo sexual, até porque estes são assuntos que Anne Frank já abordava nas outras páginas do diário. São significativas sobretudo por mostrarem uma Anne Frank que estava a tentar ter uma escrita um pouco mais literária.

"Anne Frank escreve sobre sexualidade de uma forma desarmante", diz Ronald Leopold, da Casa Museu Anne Frank, em Amesterdão. "Como qualquer adolescente, ela tem curiosidade sobre este assunto."

"Qualquer pessoa que leia as passagens agora descobertas não conseguirá evitar um sorriso", diz Frank van Vree, diretor do Instituto Niod, que colaborou na investigação. "As anedotas 'piadas' são um clássico entre os miúdos desta idade. E tornam claro que, apesar de todos os seus dons, ela era acima de tudo uma rapariga normal."

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