Angra do Heroísmo assinala Dia Internacional do Jazz com três concertos

A cidade de Angra do Heroísmo, nos Açores, vai comemorar o Dia Internacional do Jazz, que se assinala a 30 de abril, com três concertos e uma conversa sobre a importância dos duos neste género musical.

"Pensamos que temos três concertos notáveis e uma conversa importante, portanto vão ser dois dias, na nossa opinião, muitíssimo interessantes e a animar esta época baixa", salientou, em conferência de imprensa, José Ribeiro Pinto, presidente da Associação Cultural Angrajazz, que organiza o evento em parceria com a autarquia de Angra do Heroísmo.

O Dia Internacional do Jazz foi declarado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, mais conhecida pela sigla em inglês), em 2011, e todos os anos decorrem centenas de eventos em todo o mundo para assinalar a data.

Pela primeira vez, a cidade de Angra do Heroísmo associa-se às comemorações oficiais, inscrevendo o evento "A Arte do Duo" na página de internet do Dia Internacional do Jazz.

O evento arranca com uma conversa entre o jornalista António Curvelo e o pianista João Paulo Esteves da Silva, no dia 29 abril, sobre "o papel da formação do duo no jazz ao longo dos tempos", seguido de um concerto de João Paulo Esteves da Silva com o contrabaixista Zé Eduardo.

No dia 30, o pianista volta a subir ao palco do Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo para outros dois duos, primeiro com o saxofonista Ricardo Toscano e depois com o guitarrista Afonso Pais.

O evento tem um orçamento de 10 mil euros, contando com o apoio da autarquia de Angra do Heroísmo e do Governo Regional.

Os bilhetes diários custam 10 euros e o ingresso para os dois dias 17,50 euros, havendo um desconto para jovens até aos 25 anos, que podem adquirir o bilhete diário por cinco euros.

A Associação Cultural Angrajazz organiza há 18 anos o festival Angrajazz, que decorre habitualmente no mês de outubro e leva à ilha Terceira músicos de renome internacional.

Segundo José Ribeiro Pinto, o público adere cada vez mais aos concertos de jazz e há um "movimento jazzístico" na Terceira diferente das outras ilhas.

"Não há dúvida nenhuma de que há mais gente a gostar de jazz. Aliás é esse o objetivo dos nossos acontecimentos. Organizamos o festival, temos uma orquestra, justamente para incentivar o gosto pelo jazz. E felizmente vemos que deste esforço já saíram grupos", frisou.

A explicação para a dinâmica criada em volta do jazz na ilha Terceira está na ligação histórica ao estilo musical.

Na década de 1940 passaram pela base das Lajes, localizada na ilha, nomes como Frank Sinatra e Glenn Miller, tendo sido criadas inúmeras bandas locais para animar os clubes frequentados pelos militares norte-americanos.

"O jazz na Terceira é uma coisa que já vem de longe. Começou a aparecer nos anos 1930 e com mais força nos anos 1940, com a entrada dos ingleses e depois dos americanos, que proporcionaram a vinda cá de vários músicos", lembrou José Ribeiro Pinto.

Para a vereadora da autarquia de Angra do Heroísmo Raquel Ferreira, a organização destes eventos, por um lado, responde à crescente procura do público da ilha Terceira pelo jazz e, por outro, anima a cidade.

"É importante termos outros eventos em épocas mais baixas, que captem mais visitantes e a procura de quem vive cá anualmente", frisou.

Raquel Ferreira realçou ainda a importância de se comemorar o Dia Internacional do Jazz numa cidade que é Património Mundial da UNESCO.

"Esperemos no futuro poder continuar a assinalar esta data, porque impulsionamos o jazz e os músicos que cá estão", salientou.

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Catarina Carvalho

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