Uma caricatura de Tupac Shakur

ALL EYEZ ON ME Benny Boom

Inês N. Lourenço

São objetivos elementares de um biopic dignificar a personalidade que se biografa, e/ou apresentá-la na sua complexidade humana. All Eyez On Me, filme que lança no título a ideia de enfoque sublinhado no seu protagonista, o mítico rapper Tupac Shakur (assassinado em 1996), não responde minimamente a qualquer destes desígnios. É talvez o mais desajeitado retrato que se podia dar do músico afroamericano, limitando-se a passar a história da sua vida diante dos nossos olhos como uma coleção de curtos momentos de viragem, embaraçosamente escritos, e cheios de frases feitas.

Onde está a figura inspiradora? A turbulência íntima? Nem uma ideia fora da caixa. Até da sua música se ouvem apenas os refrões, porque as letras, esses conteúdos mais graves, iriam ocupar espaço num filme que não quis cumprir senão a timeline de uma vida. Um trabalho nulo.

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