Rir ou não rir com este Leão?

O DN desafiou dois comediantes a ver O Leão da Estrela. Será que dois especialistas de humor acharam piada ao filme?

Rui Pedro Tendinha
O realizador Leonel Vieira com o ator Miguel Guiilherme© JOÃO RELVAS/LUSA

Não há FC Porto vs. Sporting nesta nova versão do clássico de Arthur Duarte. O novo O Leão da Estrela, de Leonel Vieira, chegado aos cinemas logo após o maior fenómeno de bilheteiras da história do cinema português, inventa um novo Anastácio, um fanático da bola que torce pelos leões de Alcochete. Miguel Guilherme volta a recuperar uma personagem de António Silva, mas em vez de uma rivalidade de primeira divisão, este adepto agora viaja com a família até ao Alentejo profundo, local do jogo do título de um campeonato regional de III Divisão. Este Anastácio faz das tripas coração para assistir ao clássico Barrancos do Inferno-Leões de Alcochete. Pelo meio, há um subenredo com uma outra família de origens mais burguesas. Humor de situação, comédia de equívocos para os nossos dias. Tem piada?

Quisemos saber se para além dos críticos, os comediantes conseguem encontrar motivos para não rir nesta comédia de Leonel Vieira. Não lhes pedimos para criticar o filme, apenas para comentarem o humor. Os humoristas escolhidos, Paulo Almeida e Vasco Duarte são da nova geração e ambos gostavam de se ter rido com este remake. Dizem que não se riram: "O filme está cheio de clichés, mas também compreendo que possa ser feito desta maneira, pois é comercial. É claro que se fosse eu a dar as ideias de humor seria outra coisa, mas provavelmente não seria um êxito... Infelizmente, este O Leão da Estrela deveria ter mais humor, aquela coisa do sotaque alentejano não resulta e a personagem da empregada é demasiado fórmula. Mesmo assim, vejo aqui uma vitória: o Miguel Guilherme", começa por dizer Paulo Almeida.

Vasco é mais direto: "vinha com vontade de gostar deste filme, fico mesmo com pena, até porque acho que estes remakes fazem todo o sentido. Sou dos que acho que o antigo tinha mesmo piada. Claro que estava à espera de piadas muito melhores e de não apanhar com tantos clichés. Além do mais, o lado da caricatura falha pelo exagero." Quando perguntamos se preferiu a derivação O Lampião da Estrela (2000), um telefilme de Diamantino Costa, não hesita: "sim, é melhor, estava muito mais atual no seu tempo do que este. O papel do Herman era mais divertido do que o do Miguel Guilherme, um grande ator mas que aqui está apagado. Também fiquei com muita pena de ver um comediante como o Aldo Lima tão cinzento, tão forçado... Só digo que neste momento, na comédia e no cinema, pessoas com muito menos estão a fazer muito mais."

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