Portugal convidado por Espanha para falar de restauro e património

Portugal é o país convidado da próxima feira de património AR&PA, em Valladolid, entre 10 e 13 de novembro.

Lina Santos
Conferência de imprensa sobre a feira de património AR&PA, que acontece em Valladolid, em Novembro Enrique Sáiz, director de Patrimonio da Junta de Castilla y León, Paula Araújo da Silva Diretora-Geral do Património Cultura e Catarina Valença CEO da Spira - revitalização patrimonial© Orlando Almeida/Global Imagens

À 10.º edição e agora na qualidade de parceiro, Portugal será o país convidado da Bienal AR&PA, arquitetura e património, que acontece em Valladolid, na província de Castela e Leão, de 10 a 13 do próximo mês. Património Inteligente, Território Inteligente é o tema deste ano, com Portugal como país convidado.

O convite a Portugal coincide com a celebração de um acordo para a realização de uma Bienal Ibérica do Património Cultural, para a realização de feiras dedicadas ao património dos dois lados da fronteira.

Na AR&PA, este ano, estará representada a Direção Geral do Património Cultural e outras 19 entidades. Entre elas, o Turismo de Portugal, o AICEP, a Fundação Ricardo Espírito Santo e as Aldeias Históricas de Portugal.

"A cultura uniu os nossos povos e permitiu desenvolver um projeto comum", sublinhou o diretor geral de património cultural de Castela e Leão, Enrique Saiz, esta terça-feira, numa conferência de imprensa na Biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda, explicando o acordo de colaboração entre os dois países para que a AR&PA se realize todos os anos, deste lado e do outro da fronteira. Na cidade de Valladolid, em Espanha; de forma itinerante em Portugal. A próxima será em Amarante, em 2017, avançou Catarina Valença, responsável da empresa portuguesa Spira.

"É um exemplo a nível europeu", explicou Catarina Valença, ao DN, considerando que a união de esforços permitirá ganhar escala a nível europeu.

A AR&PA começou em 1998, "como uma pequena iniciativa e é hoje uma bienal científica e empresarialmente importante, em torno de um valor de todos, o património", afirmou Enrique Saiz. A próxima edição acontece em 2018 e coincide com o Ano Europeu do Património Cultural.

Este ano, a AR&PA terá 247 entidades representadas, de vários países. Além dos anfitriões e de Portugal, Saiz elenca os EUA, Índia, Itália e França. O programa inclui conferências, workshops e um congresso internacional.

De Portugal foram convidados, o arquiteto Alexandre Alves Costa, autor do projeto de requalificação do mosteiro de Santa Clara, convidado para o painel "Quando a luz se encontra com o silêncio", e o geógrafo Álvaro Domingues (Património inteligente, Território Inteligente?). A diretora geral do Património Cultural dará um visão integrada do património cultural de Portugal. Esta sessão está marcada para sábado, dia 12.

Uma das novidades da AR&PA, segundo o diretor do património cultural de Castela e Leão, é a presença de representantes italianos que vão falar sobre "cuidados ante emergências", na sequência do sismo que assolou este ano as cidades de Amatrice e Accumoli.

Enquanto decorre a AR&PA, 23 museus e salas de espetáculos em Valladolid estão abertas ao público gratuitamente. Por lá passam também as manifestações musicais portuguesas que são património imaterial da Humanidade: fado e cante alentejano.

Cinco patrimónios da Humanidade

Na feira dedicada à arquitetura e património, a Direção Geral do Património, mostrará os patrimónios da Humanidade, explicou a diretora do organismo público, Paula Araújo Silva, na conferência de imprensa.

A representação portuguesa inaugura no dia 10 no Centro Cultural Miguel Delibes. A programação é articulada pela Portugal Heritage, uma marca criada pela Spira, a empresa portuguesa que organiza a Feira do Património.pt. "Ao contrário dos espanhóis, a nossa feira é itinerante", explicou Catarina Valença. Passou pelo Museu de Arte Popular, em Lisboa, em 2013, por Guimarães em 2014 e por Coimbra há um ano. Já em formato bienal, a próxima está marcada para o centro histórico de Amarante. "Procuramos locais que não sejam óbvios", disse a responsável, também presidente da Portugal Heritage, uma associação criada a partir da experiência das três feiras do património e com o apoio institucional da DGPC, do Turismo de Portugal e do AICEP.