Oliver Stone e a história americana

Snowden, Oliver Stone

Inês Lourenço

Tínhamos o documentário oscarizado de Laura Poitras, Citizenfour - era certo que a ficção também pegaria no caso Edward Snowden. Melhor dizendo, Oliver Stone, realizador americano que, de forma sistemática, desde a década de 1980, tem conduzido a sua obra pela anatomia histórica do país, no sentido de o questionar (recordemos Platoon ou Nascido a 4 de Julho, sobre a guerra do Vietname).

É, por isso, com naturalidade que o vemos compor o drama de um dos maiores escândalos políticos deste século, para escrutinar a biografia do homem que revelou detalhes assustadores sobre os sistemas de vigilância do governo dos Estados Unidos.

Snowden, no título direto, é um percurso pelo passado do analista, desde a interrupção do treino nas Forças Especiais até ao dia em que escondeu num cubo de Rubik o chip que continha as provas da ação desmesurada da NSA, passando, claro, pela formação na CIA.

Para completar o quadro, Stone foca-se também na relação amorosa do protagonista, que por vezes confundirá o tom do filme. No fim, triunfa o sóbrio labor humanista, no rosto de um infalível Gordon-Levitt.

Classificação: *** bom