"O Quadrado" venceu seis prémios da Academia Europeia de Cinema

O filme "O Quadrado", do sueco Ruben Östlund, venceu em seis categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador, da 30.ª edição dos prémios da Academia Europeia de Cinema, cujos vencedores foram hoje anunciados numa cerimónia em Berlim.

Lusa
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O Quadrado venceu nas categorias de Melhor Filme, Melhor Realizador (Ruben Östlund), Melhor Comédia, Melhor Ator (Claes Bang), Melhor Argumento (Ruben Östlund) e Melhor Desenho de Produção (Josefin Åsberg).

O filme, uma sátira, desenrola-se enquanto um museu prepara uma instalação de arte contemporânea, O Quadrado, com a ação centrada no curador e na progressiva falência das suas relações, desde a equipa que o acompanha, à jornalista que o entrevista, da agência de marketing que faz a promoção da mostra, a uma criança que se sente injustamente acusada do roubo da carteira e do telemóvel do protagonista, e que o confronta, enquanto este vai perdendo o controlo da narrativa.

O Quadrado venceu em maio a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes.

O filme de Corpo e alma, da realizadora húngara Ildikó Enyedi, Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim e que, a par de O Quadrado, liderava as nomeações aos prémios da Academia Europeia de Cinema, acabou por vencer apenas na categoria de Melhor Atriz (Alexandra Borbély). Em Portugal, Corpo e Alma tem estreia marcada nas salas de cinema a 21 de dezembro.

120 Batimentos por minuto, de Robin Campillo, vencedor do Grande Prémio, do Prémio da Crítica e do Prémio Queer no Festival de Cinema de Cannes, recebeu o prémio de Melhor Montagem.

Os Humores Artificiais, do português Gabriel Abrantes, estava nomeado na categoria Melhor Curta-metragem que teve como vencedor Timecode, de Juanjo Giménez.

Na categoria de Melhor Filme de Animação foi distinguido A Paixão de Van Gogh, feito a partir de mais de 65.000 pinturas a óleo, recriando o traço impressionista do pintor holandês, e na de Melhor Documentário Communion.

O prémio de Descoberta Europeu foi para Lady Macbeth, de William Oldroyd.

O cineasta russo Aleksandr Sokurov recebeu um prémio honorário da Academia pela sua carreira. Também a atriz e realizadora Julie Delpy foi distinguida com um prémio honorário, pela sua contribuição para o cinema.

O realizador de O Quadradro, Ruben Östlund esteve recentemente em Portugal, no âmbito do Lisbon & Sintra Film Festival (LEFFEST), para apresentar o filme. Na antestreia, no dia 19 de novembro em Lisboa, o realizador pediu que o filme fosse visto numa perspetiva sociológica, com a preocupação de se perceber o que falha no ser humano.

O Quadrado, o filme, partiu de uma instalação que o cineasta fez com a produtora Kalle Boman para o Museu Vandalorum, O Quadrado, uma área que declararam "um santuário de confiança e solidariedade", dentro da qual "todos são iguais em direitos e deveres".

No filme, porém, o espaço fecha-se sobre as personagens. Östlund reconhece que joga com convenções assumidas por agentes de arte contemporânea, para alimentar a sátira, com situações reais que o inspiram, mas é a dimensão humana que o preocupa, a possibilidade de erro, a dificuldade na escolha.

Östlund gosta de situações complexas, gosta de trabalhar com a equipa sobre o argumento, na multiplicação de 'takes', processo que lhe permite correr mais riscos, durante a rodagem, garantiu.

Em Força maior (2015), prémio Un Certain Regard, em Cannes, dirige a desintegração de uma família, quando o pai foge, perante a ameaça de uma avalanche de neve; em Play (2011) aborda casos de bulliyng; na curta-metragem Händelse vid bank (Incidente num banco, 2009), Urso de Ouro em Berlim, inspira-se num assalto a que assistiu; em De ofrivilliga (Involuntário, de 2008), centra-se no fracasso das personagens das muitas histórias que interliga.