O passado e o socialismo de Sting em musical da Broadway

The Last Ship, ou a história de uma comunidade de construtores de navios, foi composta pelo cantor, que assim presta homenagem à sua terra natal no Nordeste de Inglaterra.

Joana Emídio Marques

Gideon tem 15 anos, uma namorada e um desejo imenso de não ter um destino igual ao do pai como metalúrgico nos estaleiros navais da cidade coberta de fagulha. Decide partir deixando tudo e todos para trás. Regressa 15 anos depois envelhecido e desiludido para encontrar a construção de navios parada, muitos desempregados e a cidade arruinada e explorada por uma grande empresa e compreende que não pode jamais recuperar o passado que deixou. Esta é a história de "The Last Ship", o musical que se estreou no domingo na Broadway, Nova Iorque - um musical melancólico assinado por Sting, que ali reflete, também, as suas memórias pessoais.

A peça foi escrita por John Logan e Brian Yorkey e situa a ação em Wallsend, um subúrbio de New Castle no Nordeste de Inglaterra. Os estaleiros navais entraram em declínio nos anos 80 durante a era de Margaret Thatcher e fecharam definitivamente em 2007 atirando para o desemprego milhares de trabalhadores. O músico é oriundo desta região e também ele um dia se fez ao mundo e deixou tudo para trás. Por isso este musical é também uma tentativa de redimir esse sentimento de culpa e essa impossibilidade de retornar a casa.

The Last Ship é também um álbum conceptual que o músico lançou em 2013, em que estão incluídos a maior parte dos temas deste musical mas também coisas novas. Sting escreveu várias músicas para cada personagem e situações intensificando menos o romantismo da história mas a sua crueza: "Sofremos muitas mudanças à medida que envelhecemos", disse o artista referindo-se ao protagonista Gideon, um homem que tanto pode ser heroico como desonesto.

O musical está em exibição no Neil Simon Theatre, em Nova Iorque, e os bilhetes custam entre 50 e os 150 euros.

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