Nuno Lopes e a dor da cidade noturna

"São Jorge", Marco Martins

Inês N. Lourenço
Nuno Lopes em "São Jorge"© Direitos Reservados

A escuridão marca este filme como um calvário anunciado.

Nuno Lopes é o corpo que confronta outro corpo - a cidade noturna - extraindo-lhe um veemente conto moral. Depois da primeira colaboração com Marco Martins em 2005, Alice, aqui o voltamos a encontrar, na imponente expressão dramática de um pai que só deseja conseguir sustentar o filho.

Com a ação passada durante os anos da troika, São Jorge vai ao âmago da crise, aos rostos da decadência social, para falar de um país. Entre conversas de bairro, que nunca se afastam do tema do desemprego, e o retrato angustiante desse protagonista boxeur, que trabalha em cobranças presenciais na esperança de liquidar as suas próprias dívidas, o realizador leva-nos ao pântano da realidade. É nele que Jorge se vai afundando, com o olhar perdido no breu profundo. Um olhar que é nada menos que um abismo.

Classificação: ***