Lion intromete-se nos favoritos aos Óscares

Em Toronto anda tudo doido com "Lion", um drama australiano com Nicole Kidman, baseado numa história verdadeira

Rui Pedro Tendinha
Dev Patel numa história verdadeira© Cortesia TIFF

Pode um filme conseguir fazer chorar um cinema gigante com dois balcões com um projeto que não é lamechas? Pode! Lion, de Garth Davis, sai de Toronto com frisson de candidato aos prémios da awards season. Uma produção australiana que é muito mais do que um novo Quem Quer ser Bilionário?

A comparação só tem cabimento devido a grande parte do filme se passar na Índia e em bairros pobres. No sábado à noite, no Princess Wales, houve aplausos de 15 minutos e lágrimas que poucos contiveram. Confirma-se: está aqui uma nova lança segura dos manos Weinstein para as nomeações aos Óscares.

O filme é a história verdadeira de Saroo Brickley, uma criança de 5 anos que na década de 1980 ficou perdido da sua família ao entrar inadvertidamente para um comboio que o transportou para Calcutá. Um caso de um órfão que mais tarde foi acolhido por uma família na Austrália e só 25 anos mais tarde, já em 2012, conseguiu descobrir o seu lar na Índia graças ao Google Earth. Um caso que se tornou célebre na Austrália e que agora serve como parábola sobre a imensidão do mundo.

Dev Patel, Nicole Kidman e Rooney Mara são as estrelas deste melodrama com implicações existencialistas e que depois da projeção em Toronto é um óbvio "agrada--multidões", modelado com um equilíbrio sentimental exato e irresistível. Um belo exemplo de cinema de condição popular que recusa estupidificar ou manipular o espectador.

Trata-se da experiência mais emocional que o cinema australiano nos terá oferecido depois do muito consagrado Shine - Simplesmente Genial, do realizador Scott Hicks. Por altura dos Óscares (e atenção que a Kidman não deverá falhar a nomeação de melhor atriz secundária) deverá estrear-se em Portugal.

Entretanto, a imprensa internacional vai ao céu com O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues, um dos títulos mais elogiados da secção Vanguard. "Tão belo como algo filmado por Malick", leu-se no Globe and Mail... O filme continua depois de Toronto a sua fulgurante carreira internacional no Festival de Nova Iorque e em San Sebastian.

Em Toronto