Lágrimas doces e amargas no verão

VIVER DEPOIS DE TI, Thea Sharrock

Inês Lourenço
Imagem do filme "Viver depois de ti"© Direitos Reservados

Se é de fazer chorar as pedrinhas da calçada? Sem dúvida. E também não escapa aos lugares comuns do romance que envolve grandes adversidades, como a doença. No entanto, é difícil resistir ao magnetismo dos atores que lideram este Viver Depois de Ti - Emilia Clarke (A Guerra dos Tronos) e Sam Claffin (The Hunger Games) - adaptado do bestseller de Jojo Moyes, pela própria.

Sem estes protagonistas, ainda que não amplamente experimentados no grande ecrã, a primeira longa-metragem da veterana do teatro Thea Sharrock não teria o feitiço elementar de uma história de Cinderela: percebe-se cedo que a humilde Lou (Clarke), como nova cuidadora do aristocrata e jovem paraplégico Will (Claffin), sustenta uma ternura inabalável, com laivos de Audrey Hepburn...

Em pequenos passos, que começam a progredir depois de se esbater a amargura estoica de Will, estes dois vão-se aproximando numa subtil intimidade reforçada pela câmara. E ainda que se sinta a manipulação emocional - porque é um filme que lida com a sombra da morte face ao amor - há uma sinceridade que afasta as reservas maiores.

Classificação: ** Com interesse