Coleção Cabrita Reis instala-se no Porto até maio

Germinal mostra a obra de artistas portugueses na coleção Pedro Cabrita Reis. É a primeira parceria da autarquia do Porto com o MAAT e pode ser vista na Galeria Municipal do Porto a partir de 17 de março

DN/Lusa
Apresentação decorreu hoje na Galeria Municipal do Porto© André Rolo / Global Imagens

A exposição "Germinal" mostra, pela primeira vez, obras de artistas portugueses da coleção do escultor Pedro Cabrita Reis, construída durante 30 anos, e abre em março a temporada de 2018 da Galeria Municipal do Porto, anunciou hoje a autarquia.

"A primeira exposição [da Galeria Municipal do Porto] é realizada em parceria com o Museu de Arte Arquitetura e Tecnologia [MAAT] (...). O nome da exposição é 'Germinal' e consiste na primeira apresentação pública de um núcleo específico, o 'Núcleo Cabrita Reis', de uma coleção que foi adquirida pela Fundação EDP, em 2015", disse o adjunto na área da Cultura na Câmara do Porto, Guilherme Blanc, referindo que a coleção tem um "grande valor artístico e valor histórico".

A chamada "Coleção de Cabrita Reis", que vai estar no Porto de 17 de março a 20 de maio, parte depois para Lisboa e traça uma "ampla e sólida" representação da "Geração de 90", do século XX, mas também apresenta ao público obras de artistas de gerações anteriores e posteriores e que mostram "o olhar de um colecionador atento" e "vinculado ao apoio a artistas e às práticas experimentais", lê-se no catálogo sobre a programação da Galeria Municipal do Porto, que foi hoje divulgado em conferência de imprensa.

A Galeria Municipal do Porto, que recebeu 88 mil visitantes em 2017, tem para 2018 um orçamento de 350 mil euros para programação -- desse total, 225 mil euros chegam pela via do mecenato da Fundação EDP --, e propõe um total de seis exposições, avançou na conferência de imprensa o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.

O "Prémio Paulo Cunha e Silva", em memória do anterior vereador da Cultura da cidade, é a segunda exposição na Galeria do Porto na programação de 2018, com inauguração marcada para dia 09 de junho.

A mostra vai apresentadar obras dos seis artistas finalistas da primeira edição do Prémio Paulo Cunha e Silva. O vencedor será anunciado no decorrer da primeira semana da exposição.

"O ontem morreu hoje, o hoje morre amanhã" arranca no dia 30 de junho e trata-se da terceira exposição prevista na programação da Galeria, dedicada ao trabalho da artista Carla Filipe, que se debruçou sobre as "práticas sociais em 'nightclubs', enquanto espaços de fuga às possíveis falências de sistemas sociais diurnos".

A exposição tem como curador Ulrich Look, contará com uma seleção de artistas locais e internacionais que se enquadram na convergência música/imagem e termina a 19 de agosto.

Logo a seguir, em setembro, para o dia 07, está prevista a inauguração de "Musonautas, Visões & Avarias", a exposição dedicada a cinco décadas -- entre 1960 e 2010 -- de inquietação musical no Porto, na qual se vai abordar da música de intervenção ao punk e à música eletrónica. Um projeto desenvolvido pelo programador e editor de música Paulo Vinhas.

"Curveball Memory -- Musa Paradisíaca", projeto inédito da dupla Eduardo Guerra e Miguel Ferrão, com data de abertura marcada para 06 de outubro, e "Transantiquity", com inauguração no dia 07 de dezembro - que se prolonga até prolongar até 17 de fevereiro de 2019 - encerram a programação deste ano da Galeria Municipal do Porto.

"Transanquity" vai ser comissariada por Guilherme Blanc e por Filipa Oliveira, e "estabelece uma ponte direta com o Fórum do Futuro de 2018, que vai explorar a relação da prática artística de um conjunto de artistas contemporâneos com o legado político, o legado ético-filosófico e espiritual da Antiguidade", esclareceu Guilherme Blanc.

"Curveball Memory -- Musa Paradisíaca", uma reflexão sobre a prática discursiva, uma "auscultação do desajo das coisas", e nasce de uma carta enviada à dulpla, de alguém que não conhecem. "Na carta, escrita na primeira pessoa, o remetente pedia-nos que o representássemos. Desde então, este desejo passou a ser a nossa prioridade", escrevem Eduardo Guerra e Miguel Ferrão, na apresentção do projeto.

A Câmara Municipal do Porto e a Fundação EDP, mecenas da Galeria desde 2015, assinaram hoje um protocolo de mecenato entre as duas entidades.

O administrador da Fundação EDP Miguel Coutinho, presente na conferência de imprensa, disse estar "muito satisfeito" com o apoio financeiro que dão a uma "cidade tão vibrante como o Porto do ponto de vista cultural".

"Vamos agora, com muita felicidade nossa, estrear a exposição da coleção de Pedro Cabrita Reis que virá primeiro aqui à Galeria Municipal do Porto (...), um facto que é revelador da importância que nós damos a esta galeria e a este projeto", declarou Miguel Coutinho.