Blake Lively, uma praia e um tubarão

ÁGUAS PERIGOSAS, Jaume Collet-Serra

João Lopes
Imagem do filme "Águas perigosas"© Direitos Reservados

Sejamos práticos: em tempos de crescente e medíocre formatação dos "filmes de Verão", para mais rodados com aquela estética agitada de telemóvel (que já nem sabe como mostrar um cenário...), é bom encontrar um filme que, pelo menos, tenha gosto em construir uma história, explorar as nuances do seu espaço, gerir as tensões do seu tempo.

Assim é este The Shallows que, além do mais, pode permitir a Blake Lively ascender a um patamar de evidência que bem merece (pelo menos, desde 2012, quando a vimos em Selvagens, sob a direcção de Oliver Stone).

Ela vive a aventura improvável, mas vibrante, de uma jovem que, numa praia paradisíaca, encontra o mais conflituoso dos companheiros: um tubarão. Vem à memória, claro, o brilhantíssimo Tubarão (1975), de Steven Spielberg, mas não é disso que se trata: estamos perante um exercício minimalista de "suspense" que faz lembrar a austeridade e a eficácia de algumas produções de Roger Corman ao longo da déacada de 60. Custou 17 milhões, dez vezes menos que Esquadrão Suicida, mas é vinte vezes mais interessante.

Classificação: *** Bom