"A Cidade Global" vista por 41 mil pessoas

A mostra composta por 249 peças, terminou no último domingo (9 de abril), pretendia reconstruir o coração da cidade de Lisboa durante o Renascimento

DN/Lusa
Exposição "Cidade Global"© Jorge Amaral/Global Imagens

A exposição A Cidade Global - Lisboa no Renascimento inaugurada a 23 de fevereiro, encerrou este domingo 9 de abril e, segundo o Museu Nacional da Arte Antiga (MNAA) teve uma média de 1 060 visitantes por dia, alcançando em quase três meses um total de 41 314 visitantes.

O objetivo desta exibição era reconstruir o coração da cidade de Lisboa durante o Renascimento, partindo de uma pintura de época que estaria conservada desde o século XIX em Kelmscott Manor (casa de campo de William Morris, artista pré-rafaelista).

Annemarie Jordan Gschwend e Kate Lowe são as historiadoras que identificaram a pintura como sendo uma representação da Rua Nova dos Mercadores na época de Lisboa renascentista. A exposição era composta por 249 peças, que pertenciam a um todo de 77 colecionadores (64 nacionais e 13 internacionais).

A exposição abriu envolta em polémica porque os historiadores Diogo Ramada Curto e João Alves Dias lançaram dúvidas, no semanário Expresso, sobre a autenticidade das peças centrais: os dois quadros A Rua Nova dos Mercadores, ponto de partida da exposição, e O Chafariz d'El-Rei, que apresentam cenários da Lisboa do século XVI.

Após terem realizado análises técnicas, o MNAA confirmou, na semana passada, que O Chafariz d'El-Rei, da Coleção Berardo, foi pintado na segunda metade do século XVI, mas não foram realizadas peritagens aos dois quadros A Rua Nova dos Mercadores, porque o proprietário - a Sociedade de Antiquários de Londres - não autorizou fazê-las em Portugal.

Os investigadores situam A Rua Nova dos Mercadores entre 1590 e 1610, que se encontra dividida em dois painéis, enquanto O Chafariz d'El-Rei terá sido pintado entre 1570 e 1580.

A direção do MNAA afirma que este "foi um dos grandes projetos do Museu, que, em boa hora, entendeu endereçar a Annemarie Jordan e Kate Lowe o convite para adaptarem a uma exposição o livro que acabavam de editar em Londres, numa ampla recriação trabalhada com a equipa do Museu, que renovou e alargou muitíssimo o espetro da ilustração".

Além da pintura, na exposição estavam incluídas mais algumas peças, entre elas, astrolábios, livros, animais empalhados, porcelanas, caixas decoradas com madrepérola, rosários, tapeçarias, azulejos e mobiliário.