99 CASAS

A crise do mercado imobiliário americana em filme digno de registo

João Lopes

Realizador americano de ascendência iraniana, Ramin Bahrani (n. 1975) tem sido apontado como uma das vozes mais originais de uma área mais ou menos independente, muito ligada a temas com importantes ressonâncias sociais.

O menos que se pode dizer face a este brilhante 99 Homes é que Bahrani sabe recuperar as componentes clássicas do melodrama familiar para, com invulgar contundência emocional, encenar uma história de perturbante actualidade.

Emergem, aqui, os ecos da crise financeira de 2008, vistos através do dia a dia de um homem (Michael Shannon) que, ao serviço dos bancos, tem como actividade regular o despejo de famílias que não conseguiram cumprir as obrigações dos respectivos empréstimos; o envolvimento com o chefe de uma dessas famílias (Andrew Garfield) vai gerar uma inesperada rede de cumplicidades e traições.

Através de uma requintada direcção de actores (Laura Dern é também uma presença essencial), Bahrani relembra-nos que o grande cinema americano existe muito para além da aplicação de efeitos especiais.

Classificação: ****