Amadora BD já tem finalistas

Cerca de 50 álbuns de banda desenhada e fanzines estão nomeados para os prémios nacionais do festival AmadoraBD 2015, um número superior ao habitual, dada a "quantidade e qualidade artística e editorial", revelou hoje o júri.

Este ano, os prémios repartem-se por onze categorias - mais duas do que na edição de 2014 - e há mais álbuns nomeados em cada uma delas, "de modo a representar esta pluralidade e acesso ao público".

Para melhor álbum português estão indicados "Erzsébet", de Nunsky, "Deixa-me entrar", de Joana Afonso, "O livro dos dias", de Diniz Conefrey, "Zombie", de Marco Mendes, "Sepulturas dos pais", de David Soares e André Coelho, e "Volta - O Segredo do Vale das Sombras", de André Oliveira e André Caetano.

De entre as categorias, destaca-se o prémio para melhor álbum de autor estrangeiro, no qual estão nomeados "A arte de voar", de Altarriba e Kim, "Cachalote", dos brasileiros Daniel Galera e Rafael Coutinho, "Finalmente o verão", de Jillian Tamaki e Mariko Tamaki, "Habibi", de Craig Thompson, "Papá em África", de Anton Kannemeyer, e "O árabe do futuro", de Riad Sattouf.

Há ainda um prémio para portugueses que publicam em editoras estrangeiras. Estão nomeados dois desenhadores que há muito trabalham no mercado norte-americano: Filipe Andrade em "Figment", minissérie escrita por Jim Zubkavich e editada pela Marvel/Disney, e Jorge Coelho, com "Loki - Agent of Asgard", de Al Ewing, também para a Marvel.

O prémio "Clássicos da 9ª. Arte" é este ano dominado pela coleção lançada pela editora Levoir com o jornal Público, pela qual saíram, por exemplo, ""Um contrato com Deus", de Will Eisner, e "Foi assim a guerra das trincheiras", de Jacques Tardi.

Dos nove nomeados, apenas dois não são daquela coleção: "Na cozinha da noite", de Maurice Sendak (Kalandraka) e "Pyongyang - Uma viagem à Coreia do Norte", de Guy Delisle (Devir).

"Tendo em conta a coleção extraordinária de obras-primas do mundo da banda desenhada editada este ano, justificou-se destacar e sugerir ao público mais obras do que o habitual", afirmou o júri dos prémios.

Além da BD, os prémios distinguem também os melhores livros para a infância, repartidos agora entre autores portugueses e estrangeiros, publicados em Portugal.

Entre os portugueses estão nomeados António Jorge Gonçalves, com "Barriga da Baleia", Bernardo Carvalho, numa dupla nomeação com "Daqui Ninguém Passa!" e "Verdade?!", João Fazenda, com "Dança", Marta Monteiro, com "Amores de Família", Yara Kono, com "Com 3 Novelos (O Mundo Dá Muitas Voltas)", e Susana Matos com "Onde dormem os reis? Uma visita ao Panteão".

Entre os estrangeiros foram escolhidos Violeta Lópiz, com "Amigos do Peito", Roberto Innocenti com "As aventuras de Pinóquio", Atak com "O mundo ao contrário", Maurice Sendak com "O que está lá fora" e Manuel Marsol com "O tempo do gigante".

O júri integrou Nelson Dona, diretor do AmadoraBD, Pedro Massano, Bruno Caetano, Luís Salvado e Sara Figueiredo Costa, comissários da exposição do Ano Editorial Português.

A 26.ª edição acontecerá de 23 de outubro a 08 de novembro e a exposição central, no Fórum Luís de Camões, será dedicada aos irmãos Quim e Manecas, duas personagens criadas há cem anos pelo caricaturista Stuart de Carvalhais.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Legalização do lobbying

No dia 7 de junho foi aprovada, na Assembleia da República, a legalização do lobbying. Esta regulamentação possibilitará a participação dos cidadãos e das empresas nos processos de formação das decisões públicas, algo fundamental num Estado de direito democrático. Além dos efeitos práticos que terá o controlo desta atividade, a aprovação desta lei traz uma mensagem muito importante para a sociedade: a de que também a classe política está empenhada em aumentar a transparência e em restaurar a confiança dos cidadãos no poder político.

Premium

Viriato Soromenho Marques

Erros de um sonhador

Não é um espetáculo bonito ver Vítor Constâncio contagiado pela amnésia que tem vitimado quase todos os responsáveis da banca portuguesa, chamados a prestar declarações no Parlamento. Contudo, parece-me injusto remeter aquele que foi governador do Banco de Portugal (BdP) nos anos críticos de 2000-2010 para o estatuto de cúmplice de Berardo e instrumento da maior teia de corrupção da história portuguesa, que a justiça tenta, arduamente, deslindar.

Premium

João Taborda da Gama

Por que não votam os açorianos?

Nesta semana, os portugueses, a ciência política em geral, e até o mundo no global, foram presenteados com duas ideias revolucionárias. A primeira, da lavra de Rui Rio, foi a de que o número de deputados do Parlamento fosse móvel tendo em conta os votos brancos e nulos. Mais brancos e nulos, menos deputados, uma versão estica-encolhe do método de Hondt. É a mesma ideia dos lugares vazios para brancos e nulos, que alguns populistas defendem para a abstenção. Mas são lugares vazios na mesma, medida em que, vingando a ideia, havia menos pessoas na sala, a não ser que se fizesse no hemiciclo o que se está a fazer com as cadeiras dos comboios da ponte, ou então que nestes anos com mais brancos e nulos, portanto menos deputados, se passasse a reunir na sala do Senado, que é mais pequenina, mais maneirinha. A ideia é absurda. Mas a esquerda não quis ficar para trás neste concurso de ideias eleitorais e, pela voz do presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, chega-nos a ideia de incentivar votos com dinheiro.